Em 20 vezes que vi o inverno ser meu
Quantos sorrisos guardei
Para ser infinitamente um Perseu
Os corações roubados que escrevi em mim
Transbordam em sangue
Colorindo meus ossos sem fim
Não sei se andarão em tais caminhos
Por 20 vezes corrompi a essência
Transformando o âmago em pura crítica de poesia
Não sei o que seria
O que abarcaria
Quantas vezes eu diria
Que por 20 luas
Ainda mais minha eu seria
Me tornei os contos pelos quais eu li
As fábulas de Esopo que transcrevi
Não sou mais um brilho de ensaio
A peça se define pelo ato
O qual eu pago
Não pelo alvo
Mas pelo que guardo
Em minha alma está escrito
20 vezes lhe transfiro
20 vezes eu me inspiro
20 vezes conto e suspiro
Que jamais seria outra
A não ser minha pura sinfonia.