Eu sou a mãe possível. E isto dói. Porque aprendemos que a mãe perfeita é a melhor. Porém, ela é a que não existe. Ainda assim, mesmo sem querer, continuamos procurando por ela. Quando erramos e nos culpamos. Quando deixamos de fazer algo e nos culpamos. Quando ousamos reclamar, ou melhor, desabafar sobre as agruras da maternidade – seja em que fase for – e somos julgadas.
Porque mãe não reclama, só vai. E isto não é humano. Como não é humano achar que mulher que faz uma escolha diferente não está certa, como achar que a mulher que escolhe não ser mãe precisa da opinião alheia, como achar que a mãe que faz escolhas diferentes de vida é menos mãe que as outras.
Será que os nossos filhos precisam de mães perfeitas? Ou seria mais justo – e mais educativo para a vida – que eles aprendam, desde cedo, com a mães possíveis? Que mães também tem limites, dificuldades, que erram, que não sabem tudo assim como todos os outros seres humanos.
Quantas vezes um pai recebe uma ligação sobre seu filho? E quantas vezes é a mãe quem recebe?
Seja um recado, uma preocupação ou uma reclamação?
Sim, o papel da mãe ainda é o mais pesado, o ais difícil. E mesmo quando a paternidade se faz presente como deveria, e aqui deixo meu reconhecimento porque conheço muitos pais maravilhosos, a mãe continua carregando o peso e a culpa.
Aceitar a humanidade de uma mãe é necessário. Aliás, não é só necessário. É urgente. Mãe não é santa, nem mulher maravilha, nem inabalável. Mãe é mulher, filha, namorada, esposa, profissional. Mãe é gente. E pode ser ansiosa, ficar triste, chata, ser permissiva as vezes e querer aliviar a sua mente de tanto peso e preocupações, só para variar um pouco.
Aproveitando o ensejo da proximidade do dia das mulheres, quando há tanto para se falar sobre o papel feminino e a violência descarada e descabida contra nosso gênero, escolho a maternidade.
E que cada um de nós, homens ou outras mulheres, possamos olhar com mais gentileza, respeito e acolhimento a mulher que existe em cada uma das mães.