Somos um eterno paradoxo. O ser humano é paradoxo. Viver é um paradoxo.
Nós magoamos pessoas e somos magoadas por elas. Nos sentimos excluídas, insuficientes, ficamos doentes e cansadas.
Temos sonhos não realizados e arrependimentos profundos e, ao mesmo tempo que achamos que estamos destinados a ser mais, questionamos o merecimento do que já construimos.
Podemos nos sentir hora em êxtase, hora em um desânimo profundo. Gostaríamos que nossos pais tivessem feito algumas coisas diferentes e exigimos de nós mesmos que sejamos melhores para os nossos filhos.
Traimos e somos traídos. Já mentimos para alguém e, com certeza, alguém já mentiu para nós. Deixamos para trás pessoas e lugares que nos são caros. Temos medo da morte mas, também temos muito medo da vida.
Amamos e fomos amados. Nos apaixonamos e deixamos de nos apaixonar assim como já se apaixonaram pela gente e se desapaixonaram, também.
Desejamos ter filhos e muitas vezes queremos não tê-los. Estamos em guerra –
uns com os outros e também com nós mesmo, com nossa mente, com nosso corpo, com a nossa existência.
Queremos viver o hoje. Mas temos o hoje e não estamos fazendo proveito dele, preocupados que somos com tudo o que ainda está por vir. E o que está por vir, mesmo?
Buscamos o perdão ao mesmo tempo que não conseguimos perdoar. Buscamos Deus tanto quanto questionamos a sua existência nas tragédias mais dolorosas.
Queremos pertencer e queremos, também, que nos deixem sozinhos. Buscamos o sentido de tudo isto – as vezes, encontramos e as vezes, não.
A vida é dificil, sim. Ninguém falou que era para ser fácil. Aceitar as dicotomias da nossa passagem por aqui é aliviar um peso que carregamos sem saber que ele não devia existir. Sentir raiva, dor, confusão, saudades, arrependimento, não é um problema, é vida.
Você não está errado em pensar e sentir. Errado seria achar que viemos só para desfrutar. Você não é imperfeito. Você está vivo!