Um influenciador brasileiro iniciou uma discussão que repercutiu muito em todos os meios de comunicação, denunciando a adultização de crianças e adolescentes na internet. A polêmica surgiu a partir de um levantamento de vários perfis, alguns envolvendo os próprios familiares, de pessoas que se promoviam e ganhavam dinheiro às custas do uso de vídeos e imagens de menores de idade.
Toda a discussão gerada a partir de então é algo que nós, profissionais da área de saúde e educação, já apontamos há bastante tempo: a preocupação com a crescente exposição e uso de telas e redes sociais por menores e também o excesso de estímulos inadequados para esta fase de desenvolvimento. Como consequência, temos um número alarmante e crescente de transtornos emocionais e comportamentais entre crianças e adolescentes.
Se para os adultos já é difícil gerenciar o que consumimos na internet e o quanto isto influencia nossas vidas, imagina para um cérebro imaturo em desenvolvimento? E o problema está por todo o lado, tanto no excesso do uso como no teor do que se consome e se publica.
Internet ainda é uma terra de ninguém. Apesar do aumento de denúncias e a intensificação das investigações a respeito dos crimes virtuais, é muito difícil controlar a viralização de um post ou de um vídeo e medir as consequências que isto pode trazer para os envolvidos.
Quando uma criança ou adolescente é exposto na internet, independente de para qual fim, ele também está sujeito a todos os prints, julgamentos, comentários e compartilhamentos que este meio permite e favorece.
Uma imagem errada ou mal interpretada, um comentário equivocado ou maldoso, uma intenção obscura por trás de
uma tentativa de contato, pode levar a sérios traumas ou serem gatilhos para o desenvolvimento de transtornos.
Uma imagem aparentemente inofensiva ou mesmo um vídeo que é para ser fofo ou engraçado, pode ser tornar material de consumo e compartilhamento em grupos de pedofilia, por exemplo. E isto é grave, muito grave.
Agora, vamos voltar ao ponto: de quem é a responsabilidade por permitir esta exposição e monitorar este uso? Dos pais ou responsáveis, óbvio. E quando os próprios pais, em situação de vulnerabilidade social ou mesmo desestrutura familiar (que se constituem a maioria dos casos), apoiam esta exposição?
Tão complexa é a situação que envolve questões sociais, culturais, criminais e, algumas vezes, a omissão dos responsáveis, mesmo.
E como proteger nossas crianças e adolescentes de tudo isto? Educando. Explicando. Acompanhando. Conversando sobre o assunto e proibindo, sim, o acesso a algumas redes e aplicativos que não são adequados para determinada idade. E, mesmo quando são, não há como não monitorar.
Crianças não tem maturidade cerebral para entender causas e consequências e identificar perigos. Adolescentes não tem maturidade cerebral para determinadas situações e gerenciamentos. Precisam do adulto e, principalmente, de um diálogo aberto e respeitoso. É possível aliar limite com respeito.
Observe seu filho e as crianças à sua volta. Explique e reforce quantas vezes forem necessárias quais são as regras e os limites para se usar a internet. E se o uso não for adequado, não permita ou o faça com o seu acompanhamento, lado a lado.
Alguns danos são reversíveis. Outros, infelizmente, não.