Compulsiva por palavras

E os papéis de uma mesa corroeram os dedos

Exatamente como alguém que não sabe lidar

Com cada sentimento próprio e alheio

O medo de que tudo se esvaia

Me tornou uma compulsiva por palavras

Mas desde quando eu poderia controlar tudo?

Como nos fizeram acreditar que o mundo é somente isso?

E quando tudo se for

Eu por acaso me lembrarei daqui, com carinho?

Correndo contra si

Correndo contra o tempo

Contra a questão absurda de ser antes mesmo de existir

Por que nos fizeram acreditar em correr?

Nada de perfeições

Pois a lição é ser e viver

Escolhendo a árvore que nos acompanhará crescer

Observando os ramos e os galhos

Enquanto ela nos observa viver

Sem desejos extremos

Apenas viver

Respirar e sentir os pulmões

Assim como sentir o coração

O meu mais profundo desejo é fazer parte

Do que nasci para ser

Sem mentiras ou perfeições

Apenas a verdade estampada em quem deseja

Absurdamente

Viver.