A gente vive – ou sobrevive – mas com vergonha de ser feliz, porque o sistema quer que a gente seja escravo e cante aos seus pés como se fosse um eterno aprendiz. Esta felicidade é para poucos. Para muitos, é vida árdua conquistada no suor e no sangue. A vida deveria sim ser bem melhor, mas não é. Falta-nos o básico, e se não o temos, jamais conseguiremos a felicidade cantada por Gonzaguinha. E a vida? O que é? Diga lá, meu irmão. Muitos corações deixam de bater pela violência ou pelo descaso da saúde pública. Seria uma doce ilusão se ao menos houvesse esperança. Não a temos. Aos olhos de quem a vida é maravilha? Somente dos providos de capital, dos engravatados. A vida é sofrimento, e a pouca alegria que sentimos nela, logo vira um profundo lamento.
Ela só não é nada no mundo, porque corremos atrás do tudo. A vida é gota e passa num segundo, quando não lutamos pelo tudo que estamos dispostos por ela. Mistério profundo? Profundidade é viver uma vida intensa a procura do resquício da alegria existente no mundo. É sopro do criador, nem sempre repleta de amor, porque o verdadeiro amor, ágape, está escasso nesta vida que levamos num mundo em constante transformação e carregado de frieza. A vida é prazer, porque há luta. Não há nada mais prazeroso do que conseguir o amor e a vitória com sangue e suor. Viver é para poucos e morrer é para muitos. Todo mundo morre um pouco por dia. Mas, e a vida? O que é? Diga lá, meu irmão?
Devemos confiar na moça do poeta? Devemos colocar a força da fé? Se digo que tenho fé, creio em quem? A sociedade não aceita que a minha crença seja diferente da crença imposta. Então, não confio na moça do cantor. Todavia, de um fato eu acredito: somos nós que fazemos a vida, como der, ou puder ou quiser. Todos a desejam, mesmo que esteja errada, pois só queremos saúde e sorte. É por isso que devemos ficar com a pureza da resposta das crianças. Não há maldade em suas falas ou comportamento. Talvez, a esperança de ser um eterno aprendiz na vida começa pela infância. A gente vai lapidando para que outros infelizes não surjam. Para isso, uma pouca educação já basta. É lutar por vida digna.