No documentário “Dilema das redes” há duas frases que eu sempre uso quando o assunto é tecnologia/rede social. A primeira é “Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de ‘usuários’: a das drogas ilegais e a de softwares/redes sociais.”Isso retrata o mau caminho que estamos colocando nossos filhos, alunos e crianças. Desde a primeira infância, estamos criando usuários que estão adoecendo ao longo do tempo: ansiedade, depressão e nomofobia. A outra frase que sempre cito, do dramaturgo grego Sófocles, é “Nada de grandioso entra nas vidas dos mortais sem uma maldição.” Talvez esta seja a mais impactante pelo contexto que estamos vivendo.
As tecnologias têm avançado de uma forma assustadora. A nova geração tem ingerido todo tipo de procrastinação. A rolagem infinita dos seus aparelhos móveis tem deixado nossas crianças desprovidas de sentimento e conhecimento. A terceirização da família em relação à educação dos filhos pelos aparelhos móveis tem deixado esta geração doente, reclusa e antissocial. Filhos trancados em quartos não estão estudando, mas sim se isolando da realidade que os cerca e alimenta a utopia das redes dos filtros e da convivência social.
Para amenizar os impactos e a alta exposição a que os nossos filhos e alunos estão submetidos, entrou em vigor no dia 17 de março de 2026 o ECA digital. Esta consiste no compartilhamento das responsabilidades entre os usuários. Isto significa que a proteção da criança no ambiente digital é um dever dividido entre Família, Sociedade e Plataformas. Usuários, família e Estado perderam o controle do tempo de uso de telas e do que filhos, alunos e crianças estão fazendo dentro das suas redes. Aferição de idade, segurança por padrão, ferramenta de supervisão parental, publicação contra a publicidade e direcionada moderação de conteúdo são os principais pontos abordados no novo estatuto. Para isso, é preciso a conscientização, principalmente da família. A escola tem feito a sua parte e está protegida pela Lei Federal que proíbe o uso dos celulares na sala de aula. Cabe, agora, à família a conscientização sobre o uso excessivo e descontrolado das redes.