No Dia Internacional da Mulher, as redes sociais se enchem de homenagens. Há flores, mensagens bonitas, discursos sobre força e admiração. Mulheres são chamadas de guerreiras, incríveis, inspiradoras. Por um momento, parece que finalmente estamos sendo vistas e valorizadas.
Mas um dia de elogios não apaga o que acontece nos outros 364 dias do ano.
O erro da sociedade é normalizar a violência constante contra as mulheres. Mesmo que seja frequente, tratar essa violência como algo comum é um erro gravíssimo. Quando isso acontece, a dor das vítimas de violência física e sexual deixa de ser vista como tragédia humana e passa a ser tratada apenas como mais um número em uma escala de estatísticas.
E números não choram.
Números não contam histórias.
Números não mostram os sonhos interrompidos, as famílias devastadas, os futuros que nunca chegaram a existir.
Quando uma violência se torna rotina nas manchetes ou nas conversas, existe o risco de que ela deixe de causar indignação. O que deveria chocar passa a ser apenas mais um caso. Mais um nome esquecido na sequência de notícias.
É justamente por isso que o Dia das Mulheres precisa ser mais do que flores e palavras bonitas. Ele deve servir como um momento de reflexão coletiva. Um lembrete de que respeito, segurança e dignidade não podem ser homenagens simbólicas de um único dia, mas compromissos diários da sociedade.
Valorizar mulheres não significa apenas elogiá-las em datas comemorativas. Significa garantir que elas possam viver sem medo, andar pelas ruas com segurança e existir sem que sua vida seja tratada como estatística.
Porque nenhuma homenagem faz sentido se, no restante do ano, continuarmos aceitando o inaceitável.