Confesso que já parei de romantizar o espaço educacional. Os profissionais inseridos nele têm feito o trabalho dignamente e digladiam com assuntos que não os pertencem. Parar de romantizar não é o mesmo que desistir. Eu não desisto, porque acredito no poder da educação. Acredito no seu poder transformador. Todavia, não olho mais apenas para o bem-estar do aluno. Preocupo-me com o professor que tem trabalhado em condições precárias e vem sofrendo todo tipo de agressão dentro da escola. Como já disse em publicações anteriores, a sociedade vê a escola como inimiga. O seu principal alvo é o professor. Quem o ataca é quem deveria trabalhar em conjunto: a família.
O aluno chega à escola com suas mochilas carregadas de problemas, e nós, os professores, ajudamos dentro das nossas condições emocionais para aliviar o peso deles. Já a família, o responsável por este aluno, procura-nos com “sangue nos olhos” e regurgita todo o ódio instaurado na alma e no coração perante o professor. Ultimamente, a violência dentro dos ambientais escolares tem mostrado a verdadeira face da família do século XXI: desiquilíbrio emocional, falta de empatia e falta de respeito. Este último tem sido tão frequente que não se pode acreditar os seus acontecimentos dentro de um local que preza pelo bom convívio e que tenta construir cidadãos do bem. A escola tenta, mas a família descontrói. Pais não colocam limites, são superprotetores e evitam que os seus filhos passem pela frustação. Estão criando seres humanos fracos que não estão prontos para a vida lá fora. Se as bolhas sociais, afetivas e educacionais não forem estouradas, o fracasso é inevitável.
Os filhos estão frequentando os espaços escolares a fim de provar o quê? Que são fortes e influentes? Que sabem brigar? Na verdade, este tipo de comportamento, embora vangloriado por muitos pais, só reforça a decadência da família. Saiam de suas redes sociais e vivam a realidade dos seus filhos. Deixem de seguir influencers e influenciem seus filhos a serem boas pessoas. Parem de compartilhar notícias falsas e compartilhem a verdade do mundo com os seus filhos. Deixem os filtros de lado de suas fotos e vivam na memória das suas crianças. Vocês colocaram um filho no mundo para dar orgulho e tentar mudar o mundo que vivemos. Seu filho tem que ser melhor que você. Faça jus ao ser chamado de pai ou mãe ou qualquer vínculo familiar. A escola agradece.