Mais um ano que se finda. Promessas e metas foram cumpridas e outras tantas foram em vão. Tempo de reflexão para o ano que se aproxima. Logo, estaremos unidos em volta de uma mesa farta ao lado das pessoas que amamos. Muita comida, bebida e saudades. Em toda mesa de família há uma cadeira vazia. As fotos já não são mais as mesmas e, às vezes, os encontros familiares perdem a graça. Fica um vazio que é difícil de ser preenchido novamente. Do riso, o pranto e as lágrimas que escorrem da saudade.
Entretanto, que tenhamos empatia. O Papai Noel não chegará a muitas famílias. É preciso olhar para os natais dos mais necessitados. Não que isso venha diminuir a dor da ausência e não estou comparando a saudade de ninguém. A verdade é que a gente vive preso a lembranças que insistem em nos visitar justamente quando o silêncio, a reflexão e os momentos de alegria se fazem mais alto. Elas aquecem e ferem ao mesmo tempo, pois trazem consigo a presença de quem já não está, mas jamais deixou de existir em nós. Há laços que devem ser desfeitos, pois com o tempo, eles nos apertam e nos colocam numa amargura infindável. Reconhecer a efemeridade da vida é estar ciente de que tudo se vai e vira saudade.
Que a Festa das Lembranças não seja apenas um reencontro com o que foi, mas também um convite ao que ainda pode ser. Que a ausência nos ensine o valor da presença e que cada gesto simples — um abraço, uma palavra, um silêncio respeitoso — seja uma forma de resistência contra a indiferença que o mundo insiste em normalizar. Viver é aceitar que nem todas as cadeiras serão novamente ocupadas, mas que o amor vivido jamais se perde. Que a empatia não seja apenas um discurso sazonal, mas uma prática diária. Porque, quando dividimos a dor, ela se torna suportável; e quando partilhamos a esperança, mesmo em meio à saudade, ela se multiplica e nos lembra de que seguir em frente também é uma forma de honrar quem ficou nas lembranças.
Que a mesa farta não seja apenas de alimentos, mas de humanidade. Ao celebrarmos mais um fim de ano, que a Festa das Lembranças não seja apenas um inventário de perdas, mas também um exercício de gratidão. Afinal, lembrar é a forma mais sincera de manter vivos aqueles que o tempo levou, mas que o coração se recusa a esquecer. Boas Festas!