Leis fracas favorecem os covardes. Os gritos das mulheres que sofrem violência física estão ecoando em lares, em bares, nas esquinas, pelos cantos do Brasil e do mundo. É descomunal a brutalidade as quais as mulheres são submetidas e nada se tem feito ultimamente. Faz-se, mas não é o necessário. Enquanto isso, elas são violentadas, assassinadas e sofrem todo tipo de violência. O homem na sua essência é um covarde. Usa da sua composição biológica para se sobressair em casos em que não há equilíbrio e diálogo entre as partes. Esta falta de verbalização culmina em impaciência, violência física e verbal. As atrocidades que vêm acontecendo nos últimos tempos (houve tempos piores) acendem um alerta para autoridades de que precisam agir urgentemente: leis mais rígidas contra o feminicídio.
Os horrores causados pelo homem não devem ficar impunes. Não adianta somente proibir a proximidade com a vítima se uma bala de revólver pode encurtar essa distância. Mulheres têm sido vítimas de uma truculência desleal, horrenda, que são difíceis de serem relatadas por aqui. A fragilidade das leis contra o feminicídio transforma a vida das mulheres em uma roleta russa diária. Medidas protetivas, que deveriam ser escudos, tornam-se apenas papéis que muitos agressores rasgam com o olhar. A punição demora; a fiscalização é falha; e a sensação de impunidade alimenta a ousadia dos violentos. Quando o Estado falha em proteger, ele se torna cúmplice silencioso — e essa cumplicidade custa vidas.
Não basta enquadrar o feminicida após o crime consumado; é preciso evitar que ele tenha a chance de cometê-lo. Leis formais, penas severas, acompanhamento psicológico compulsório, monitoramento efetivo e políticas de prevenção são urgências, não favores. A legislação atual trata o problema como se fosse apenas um desentendimento doméstico, quando, na verdade, se trata de uma epidemia de ódio de gênero.
A sociedade não pode mais aceitar que a morte de mulheres seja um dado estatístico ou um breve rodapé nos jornais. Enquanto as leis forem frágeis, o feminicídio continuará sendo um crime anunciado — anunciado nos boletins de ocorrência ignorados, nos pedidos de socorro desacreditados, nos vínculos rompidos com medo, nas vidas que poderiam ter sido salvas. Leis fracas favorecem os covardes. E, enquanto não forem fortalecidas, continuarão sacrificando as mulheres que o Estado prometeu proteger. A urgência não é apenas legal: é humana, moral e inadiável.