Lenda

 

Pulsos em pleno colapso pela sobrecarga

Punhos calados pela falta de empatia

Mãos inchadas de tanto labutar

Dedos em pura carne

Por apenas tentar respirar

E desde quando os princípios passaram

De natureza humana a virtude relativa?

Sou gentil se o mundo igualmente for

Mesmo que tudo cause dor

Mesmo que se despedace cada flor

Quando passamos de belos seres

A corruptíveis raças que deturbam a natureza?

Como desfazer o enriquecimento burguês

Quando fingimos ser todos parte dele?

Mentindo e engolindo o papel

Advindo do próprio suor

Guardaria de cor

Se as informações em absurda demasia

Não me roubassem o tempo, a cortesia

A primazia de ser poesia

Desde quando pude tocar sem solicitar?

E outros precisam implorar para respirar?

A justiça se esboçou na máscara dos que a defendem

Mas a sociedade a tornou lenda

Pura e inconsequente prenda

Somente a possui quem por ela pode pagar

Somente a alcança quem deixa de sonhar.