A lua esperava pela hora certa
Em um corriqueiro dia
As horas passaram-se a voar
Sem percepção de quando chegaria
O exato momento daquela poesia
A lua mostrou uma verdade sem fim
A nua e crua sinceridade do ser
E assim, sem jeito, deixando por ver
Aquilo que a magia de tempos antigos
Tanto desejava
A lua esperou o sol se esvair
Mas o medo a transformou em sangue
E já não era mais a mesma
Chegou a aparecer cedo, de uma maneira diferente
Então nunca se houve o verdadeiro chegar
Dentro do próprio coração, sentiu o medo se instalar
Não havia descrição
Ou qualquer emoção corriqueira
De que a verdade ainda estava ali
Mas o medo corrompeu a lua
Assim como corrompeu a mim
Mas mesmo sendo uma lua de sangue
A verdade é que ainda seria lua
Como a pura constelação de quem ama
Como a singela sensação de quem jamais desistiria de ser.