Maravilhoso arfar

Em meados de uma certa época

Eu sentiria o farfalhar do elaborado vestido

Ao rodopiar naturalmente

Sem aprender danças que não me fazem condizer

Eu sentiria os olhares apenas no que sou

Jamais no que poderia ser

Trataria cada palavra como uma eterna armadilha

A qual me prenderia por somente desejar me libertar

Não vejo razões a não me deleitar

Em uma ideia irreal de onde poderia viver

Não senti a necessidade de preservar esta razão

Que me deixaria sã

Eu lavaria a alma em plena espécie

Como um rio que corre e trafega

Sendo longa e preparada a entrega

Um olhar seria uma tortura delirante

Ao rodopiar por rostos desconhecidos

Sem saber quais espinhos

Me fariam saciar ou afundar

Mas por aqui tenho a vez de ser

De ver o farfalhar de um vestido

E quando não, as páginas me levarão

A este maravilhoso arfar.