Por séculos em castelos
E décadas pensando em dragões
Um conto de fadas sem pressa
Domando os pedaços do meu coração
Vezes em mil sextas
Contando cada cesta a vir em cem
Rondando vielas
Para ser quem seria em outrem
Sem medo, escrúpulos ou capas
Sem heroísmo com fingimentos e farsas
O real irrepreensível
Tão tangível e sem sentido
O som de bandas e violas
Sem nexo com o que viria de cada orla
Um emaranhado de areia
Esperando o entardecer transformar o monstro em sereia
Contos de fadas que contei por séculos
Sem sentidos exprimidos do que é certo
Palavras que domam a alma
Sem contradizer a certeza do seria firme e certeira
Corroendo os ossos de quem as lê
Começando com quem descrê
Eu viria com mil lobos
Ou apenas com o monstro, que sempre foi você.