Monstros de contos de cordel

 

Lentamente vislumbro seu anoitecer

De mechas caídas como plumas de meu ser

Eu fiz isso acontecer

Por que me doeria ver se tornar real?

Criamos monstros pelo ódio

Sedentos pelo sangue de mil mortos

Não é justo os tornar em gentis pelo amor

Não é justo envenenar e culpar

Quando a saciedade foi apreendida desde menor

Eu sei de cor tais contos de cordel

De quando o monstro vira humano

Quando deixa de o mundo odiar

Sei de cor histórias pintadas de sangue

Tinta falsificada de mel

E foi nesse céu que o vi

Quando já não se acreditava mais em contos de fadas

Quando o mundo transpassou por mim

A lâmina cortante da poesia

Foi meu fim

Crenças se desmistificaram

Porque não era o monstro que vi se transformar pelo amor

Não encontrei princesas encantadas e portadas

Vislumbrei a humanidade

Em sua mais pura essência de ser

Imprudente, desejável, consequentemente amável

Mas, acima de tudo, parte do que te definiria como meu inefável.