Morreram o poeta e a poesia?

Em tempos de tecnologia, onde mora a poesia? Estão extintos a sensibilidade e os poetas? No meio de tanta frieza, futilidade e falta de sabedoria morrem o poeta e a poesia? Uma sociedade que não lê e que não consegue construir uma reflexão, há de entender os versos de um poema? Qual é o futuro das estrofes e dos poetas? O descaso com os livros e a falta de incentivo com a leitura têm gerado uma sociedade desprovida de intelecto e subjetividade. O mundo se tornou objetivo porque se perdeu a sensibilidade. O canto dos pássaros já não chama mais atenção; as cartas de amor não existem mais; as serestas se extinguiram assim como a boa música e a sua melodia de outrora. Tudo virou técnico, objetivo e fútil. A criatividade perdeu espaço. A arte deixou de ser sentimental e emotiva. Típico dos poetas parnasianos que não escreviam sentimentalidades.

Não caminho mais entre a razão e emoção, porque o homem hodierno se perdeu. Perdeu-se de si ao terceirizar os sentimentos, reflexões e a própria criatividade. Se morre o sentimento, morre a poesia? Se morre a poesia, morre o homem. Não há nenhuma alma que sobreviva sem a arte, seja qual for o seguimento. A palavra é arte; é a matéria prima do poeta. Todavia, o sujeito deste século não verbaliza, não lê, não constrói conhecimento e não tem sensibilidade. O insensível jamais verá arte nas coisas simples da vida. A poesia está em tudo aquilo que tocamos ou vivemos. Viver já é um ato poético, pois o dom da vida é para quem realmente enxerga a sua dádiva. As pessoas não estão vivendo, mas sim, apenas existindo. O existir cabe àquele que não enxerga sensibilidade. São mãos de obra de um mundo frenético que tem como objetivo lucrar, ter e enriquecer.

Os que vivem, enxergam tudo aquilo que podemos enxergar com poesia. São poucos. Raros, mas existem. São estes que deixarão o legado da arte. São os poetas. A extinção destes artistas das palavras colocaria o homem em desalinho consigo mesmo e com o próprio mundo em que vive. Pobre mundo! Mundo pobre de poesia, de poetas, de sabedoria. Se a terra falasse, seu grito seria de socorro.