Não apenas ter, mas ser

Vesti as roupas do inverno

Quando o calor do amor me invadiu

Tentei fugir ou fingir sentir mais?

Vesti roupas erradas tantas vezes

Criei certezas em tempos instáveis

Vesti um casaco durante o sol de um verão

Amarrei o cabelo em um frio de congelar

Trouxe cor para almas descabidas

Tentei algo que nunca conseguiriam entender

Entreguei flores para vivos

Sorri para meus conhecidos

Vivi por mim

Pedi que tivessem carinho no congelante alheio inverno

Nunca soube o que significava

Até escrever poesia

Eu não sentia o chão, parecia estar no lugar errado

Até descobrir que eu apenas sabia voar

Não basta termos a alma, o som, a chance…

Se para todos estiver frio, o coração fervente

Não mudará nada

Será apenas mais uma alma morna, com os pés na cova de uma prosa.