A última flor do Lácio, definida em versos pelo poeta parnasiano Olavo Bilac, segue numa penumbra constante e sem esperança. A falta desta se dá pelo desinteresse em leitura e escrita. É válido lembrar na língua falada não há uma obrigação em usarmos uma gramática normativa. O que importa é a comunicação. A língua falada é situacional, ou seja, varia de acordo com o contexto. Todavia, a língua escrita precisa ser mais policiada. Vejo vários canais de comunicação cometendo erros que não deveriam cometer. Toda língua tem as suas regras e normas e estas precisam ser respeitadas quando estamos falando de linguagem escrita.
Sempre digo aos meus alunos que dentro de um contexto profissional os erros ortográficos podem prejudicar. É comum, às vezes, faltar um “s” na palavra, um acento ou quaisquer outros pequenos erros os quais não identificamos dentro do texto. Por isso que a leitura, revisão e correção depois da escrita são sempre primordiais. Todo texto é melhorável quando há um interesse pela veiculação dele na sociedade. O que não pode acontecer é normalizar os erros grotescos de grafia, concordância, regência e, principalmente, o uso da crase.
Dependendo do erro ou de como a vírgula está inserida, gera uma ambiguidade – conhecido como duplo sentido. Certo dia, li numa publicação de um bar da cidade que o evento iria começar às “20:00” com “open bar” e iria se encerrar às “9:30”. Primeiramente, a grafia para horas está errada. O correto seria “às 20h”, “9h30min”. Segundo, se eu fosse o consumidor do local, eu exigiria o “open bar” até ás 9h30min da manhã. Olha o tamanho do problema! Daria um lindo processo por não respeitar o que foi divulgado nas redes sociais.
Erros grotescos como este podem afetar negativamente a função social de uma pessoa ou de uma empresa. Língua escrita é algo sério. Profissionais que escrevem errado podem perder a credibilidade no setor em que trabalham. A língua falada e a língua escrita também funcionam como um elemento persuasivo. Esta função apelativa da língua – ou conativa – merece uma atenção especial quando estamos falando de empresa, produtos e pessoas. Normalizar o erro é caminhar numa penumbra desnecessária, sabendo que há profissionais e tecnologia suficiente que podem nos livrar de erros imperdoáveis. Basta ter o mínimo de consciência gramatical e social.