O medo de encarar o novo

Tudo que acontece na nossa vida em que há uma mudança brusca de comportamento e sentimento, assusta-nos porque não estamos acostumados com o novo. Na verdade, o novo nos traz um medo desnecessário. O ser humano precisa viver da inconstância das coisas e do sentimento.

Muitas vezes, aceitamos a infelicidade por ter medo das mudanças. E isso vai nos consumindo mentalmente e fisicamente de uma forma que morremos num de repente mesmo estando vivos. Morrer estando vivo é a dor mais profunda que o ser humano carrega na sua vida efêmera. Morremos em relacionamentos tóxicos, em ofícios que não gostamos de fazer; morremos de ego, ganância e das coisas que achamos que são imutáveis. Estamos sempre mortos.

O novo aterroriza, mas é não o fim. Muito pelo contrário: é o recomeço. A vida é um eterno recomeçar. Os recomeços são para os fortes, para aqueles que reconhecem a passagem de uma vida efêmera e têm consciência do seu fim.

Quando negamos os recomeços, estamos negando a nossa própria existência. E negá-la é dizer não à felicidade que tanto procuramos nesta vida carnal. É negar novos amores, novos ares, novas oportunidades e a chance de mudança. Estamos presos numa consciência que evita encarar o mundo. Ela nos aprisiona, pois estamos mais acostumados ao fácil e ao concreto. Enxergar o mundo com abstracionismo entre tantas materialidades é uma forma de não ver como o outro vê.

E é por isso que são poucas as pessoas que não têm medo de lidar com as mudanças, porque elas veem o mundo com outros olhares e vislumbram as pequenas coisas que o restante do mundo ignora.

As borboletas são um grande exemplo. Sua metamorfose as colocam num estado de liberdade. Voam para a liberdade, pois aceitam o processo de transformação e mudança.

A maioria das pessoas estão presas num casulo. Nunca alcançarão o voo da borboleta por temer a liberdade que tanto as espera. E isso vai criando uma sociedade enraizada em problemas e sem esperança.

O mundo gira em torno dele mesmo, dando as mesmas voltas, todavia, em constante transformação.

Enquanto isso, negamos a nós mesmos.