O racismo ainda vive entre nós

Embora o Brasil seja reconhecido por sua diversidade, ainda persiste a falsa ideia de que o racismo é um problema superado. Muitos acreditam que, por existirem leis que o criminalizam e por pessoas negras ocuparem espaços de destaque, o preconceito teria ficado no passado. Contudo, essa percepção ignora o racismo estrutural e as sutis manifestações de discriminação que ainda permeiam o cotidiano.

Assim, é necessário compreender que o racismo permanece vivo na sociedade brasileira, manifestando-se de forma velada e constante.

O racismo contemporâneo nem sempre se expressa em ofensas diretas, mas em atitudes cotidianas carregadas de preconceito. Ações como segurar a bolsa com mais força quando um homem negro entra no elevador, atravessar a rua ao cruzar com uma pessoa negra ou desconfiar automaticamente de alguém por sua aparência revelam a permanência de estereótipos raciais.

Esses gestos, aparentemente inofensivos, reforçam a ideia de que pessoas negras são perigosas e inferiores, perpetuando o medo e a desigualdade. Dessa forma, o racismo se disfarça de normalidade, mas continua a ferir e excluir.

Além disso, o racismo estrutural se evidencia nas desigualdades sociais. Pessoas negras ainda são maioria entre os desempregados, as vítimas de violência policial e os grupos em situação de vulnerabilidade. Esses dados mostram que o preconceito não é apenas individual, mas social e institucional. Ignorar essa realidade é contribuir para sua continuidade, pois o silêncio e a omissão fortalecem o racismo e impedem o avanço da igualdade.

Portanto, é incorreto afirmar que o racismo pertence ao passado, já que ele ainda se manifesta tanto nas atitudes sutis do dia a dia quanto nas estruturas sociais.

Pessoas negras comem os mesmos alimentos, bebem da mesma água e sofrem das mesmas doenças que as pessoas brancas. Deixo, então, o questionamento: por que vemos como diferente alguém que possui os mesmos órgãos, sistemas e vasos sanguíneos que nós?