Em cada canto do país tem uma criança batucando em alguma coisa. Não há como esconder a verdadeira essência do povo. O samba, antes de tornar o que é, sofreu preconceito e derrubou barreiras inimagináveis. Ele sempre pediu espaço para ser cantado. O samba mostra a realidade de uma gente sofrida e batalhadora. É o verdadeiro retrato deste país que, apesar dos pesares, está sempre de cabeça erguida e com um sorriso no rosto.
A Lei 10.639/2003 da LDB estabeleceu a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas de ensino fundamental e médio, públicas e privadas. Porém, não é o que realmente acontece. É preciso mostrar na prática. Todo espaço escolar deveria ter uma bateria de escola de samba ao invés das fanfarras – com todo respeito. Estas, historicamente, eram usadas num contexto militar para que as forças armadas se comunicassem nas batalhas e marchas. Aquelas nasceram nos terreiros cariocas por volta dos anos de 1920. Uma lutava contra as guerras ideológicas impostas pelos poderosos; a outra lutava contra um sistema que a reprimia e a discriminava. Baterias de escola de samba gritam mais do que as fanfarras não só pela história que carregam, mas também pela força que o negro teve em tentar trazer alegria ao seu povo mesmo com tanta repressão e preconceito. Cada barulho de um surdo tocado é um grito de liberdade que ecoa na nossa sociedade.
Todavia, parece-me que falar de cultura, samba e religiões de matrizes africanas ainda incomoda muita gente. Veja bem, eu disse “falar de religiões de matrizes africanas” e não cultuá-las. Eu sei que o Estado é laico e que continue assim. O que quero dizer é que o respeito deve imperar antes de qualquer coisa. Na escola, por mais que não seja uma obrigatoriedade do responsável pela educação, ensinamos também respeito e empatia. Através do som dos tamborins e afins conseguimos trabalhar os comportamentos humanos, porque a música faz com que os corações vibrem juntos e coloca todas as almas, independentemente das divergências, para dançarem no mesmo palco da vida. Os versos de um samba podem salvar muitas vidas e a síncope da sua batucada pode salvar a sociedade da ignorância, do preconceito e da intolerância religiosa. Pensemos sobre! A escola, assim como o samba, agoniza, mas não morre.