Ócios e Negócios

PREFÁCIO

Entra ano, sai ano, é sempre a lesma lerda.

AGROPECUÁRIA

Um jovem vaqueiro ficou famoso nos meios pecuários pela rapidez na contagem das cabeças de gado vacum. Os rancheiros resolveram testá-lo, prenderam em um curral 500 cabeças de vacas e novilhas, posicionaram o jovem vaqueiro na porteira para que ele contasse os animais saindo do curral. Assim que a porteira foi aberta ele passou a contá-las; no final ele, em tempo recorde, revelou que a quantidade de reses era 500. Quando os proprietários perguntaram como ele conseguia tamanha proeza, ele respondeu: “eu conto as patas dos animais e divido o resultado por quatro”.

DÉCADA DE 1960

Nos anos 1960, uma emissora de TV noticiou que a casca do ipê roxo curava câncer. A nossa serra de Jaboticabal, mas que se situa em Monte Alto, tinha uma grande quantidade de árvores de ipê roxo. Em questão de semanas as árvores sumiram, não contentes em cortar a casca, os machados cortavam os troncos para fazer chá do milagre. A serra ficou devastada e o ipê roxo sumiu.

Como o ipê nunca curou sequer bicho-de-pé, tudo foi esquecido, e como outras plantas milagrosas em curas também foram falsas, nunca mais se falou nisso.

DITADURA & CENSURA

A mais longa ditadura do Brasil (1964/1985), que alguns chamaram de “ditamole”, impôs uma censura aos meios de comunicação e consequentemente ao povo em geral, que calou a voz popular, todos tinham medo de falar em público nas ruas e bares, até nas salas de aula, o “cala-a-boca” era observado com rigor. Isso levou às ruas silenciosas uma desconfiança sufocada. Muita gente fala que nas cidades do interior, tipo Monte Alto, a ditadura sequer apareceu, erra quem afirma tal asneira. Existia a presença velada da ditadura, ninguém sabia quem era quem, uma manifestação aberta era da Polícia Militar, quando os policiais passavam de viatura e viam as famosas “rodinhas” de jovens conversando nas esquinas, um deles colocava a mão para fora e alertava: “circulando… circulando…”

LEILÃO MATRIMONIAL

Em 1975, no início da era industrial na Inglaterra, crianças de até cinco anos trabalhavam nas tecelagens mecanizadas, e devido a sua baixa estatura, ficavam em baixo dos teares puxando os fios soltos partidos. Era cruel, porém, os pais pediam aos patrões para empregarem as crianças porque não tinham onde deixá-las. Também não havia comida em casa para alimentá-las e nas empresas elas comiam junto com os pais.

Na mesma época, vigorava a lei que permitia aos maridos venderem – isso mesmo, venderam as esposas normalmente. Nos finais de semana acontecia o leilão das esposas nas aldeias e cidades. Os maridos expunham as esposas e esperavam as ofertas, as mais feias ficavam por último, eram vendidas pelos menores preços. (Tinha esposas para todos os gostos e preços, conta-se que uma foi vendida em troca de um pedaço de sabão).

DESBRAVADORA DE LETRAS

Ao longo e do alto dos seus quarenta e poucos anos, quase meio século, a presente coluna e seu autor receberam elogios e críticas, nem sempre nessa ordem. Também manifestações de toda ordem, como sugestões e colaborações das mais variadas temáticas. Leitores que se dizem fãs de carteirinha, que a coluna é a primeira a ser lida em cada edição. Quando alguém faz alguma pergunta ao autor, observa antes: “você que sabe tudo”; claro que a observação é sincera, porém, nada de agradável, porque soa como uma ironia. Sócrates, o grego, não o jogador de futebol, proferia “quanto mais eu sei, mais sei que nada sei”.

Marcou muito quando uma esposa chamou o marido de “Odair Rebonato” enquanto assistiam TV e apareceu uma frase no filme que ele decifrou o sentido, a origem e o idioma primário. Para a esposa, o marido e a gente, mais ninguém sabia do que se tratava.

CONFISSIONÁRIO INTELECTUAL

Uma senhora, professora da velha guarda, tratava os alunos como filhos, o que permitia a liberdade de uns puxões de orelha, o que não era posto em prática já que os argumentos educacionais falavam mais algo. Toda aula dela era uma espécie de aula magna, proferiu uma ‘sentença’ que valeu por todos os elogios até então recebidos, que nós, eu e a coluna, jamais esqueceremos. Disse ela: “sua coluna é CULT”.

ROMA CIDADE ETERNA

Entre todas as civilizações da Terra de todos os tempos, a romana é a que mais influenciou a contemporaneidade. Nas duas mais destacadas civilizações modernas, a latina e a anglo saxão, o legado romano foi fundamental para a formação do direito e das técnicas variadas de ordem moral, como exemplo, o conceito de cidadania. Roma não era democrática simplesmente porque era escravocrata e imperialista. Ou se era de Roma ou se era de ninguém.

Se dizia que Júlio César e os demais imperadores que o imitaram ao desfilarem em público, se acompanhavam de um escravo, que assoprava nos seus ouvidos: “lembre-se que você é um simples mortal”. O povo tratava os imperadores como semideuses.

ARMADURA & ESPADA

Não sei se outras policias de outros estados também usam cavalaria como a Polícia Militar da capital paulista, que patrulha parte da cidade em ocasiões específicas, com cavalos. Claro que não faz sem necessidade, alguma coisa existe para esse tipo de ação que garante a segurança do povo.

A razão do presente contexto é de opinião do colunista, que não é contra a patrulha a cavalo, porém, em pleno século XXI, têm-se motos e bicicletas motorizadas, equipadas, que podem realizar o trabalho da cavalaria, suponha-se, com mais eficiência. Não estamos mais no Estado Imperial.

FRASE

“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive” (Padre Antônio Vieira).