VILA DO MONTE ALTO
Oficialmente, Monte Alto foi fundada em 15 de maio de 1881, oito anos e seis meses depois, em 15 de novembro de 1889, um golpe de Estado baniu a Monarquia e foi proclamada a república, que até hoje não foi promulgada. Portanto, Monte Alto foi uma cidade (Povoado) existente no Segundo Império, governado pelo Imperador D. Pedro II, expulso do país no dia 16 de novembro de 1890.
O Imperador concordou pacificamente com o exílio, esperava ele que os militares chefiados pelo Marechal Deodoro da Fonseca e pelo Marechal Floriano Peixoto, dariam um prazo para ele deixar o país. Os militares não fizeram isso por segurança política, como a república não estava consolidada, um contra golpe poderia derrubá-la, seria a que foi sem nunca ter sido. Também na data, havia muitos monarquistas no país, suficientes para uma revolução com apoio de outros governos politicamente aliados da Europa, principalmente.
MONTE ALTO CONDADO
Nos oito anos monarquistas, a futura capital do mamão, a então Vila de Monte Alto das Três Divisas, não foi reconhecida pelos paulistas e não homologada pelo Império. Apenas a vizinha Jaboticabal reconheceu o povoado como Vila de Jaboticabal, na qual em tudo era dependente, apenas tendo como livre um alambique, reconhecido como boa cachaça que abastecia a região. Antes do reconhecimento oficial, o governo imperial praticava a espécie de um “banho-maria”, um estágio comunitário, e, como não podia deixar de ser, com o aval da Igreja Católica, esta, por sua vez, aprovava a planta genérica dos novos povoados se recebesse, em média, dois quarteirões da nova cidade, para que neles fossem construídas a Igreja Mor (Matriz) e sua estrutura ao redor como casa paroquial, local para eventos e daí por diante. Sem a Igreja, a futura cidade seria órfã politicamente e clandestina urbanamente. Um típico Condado!
MÃO E CONTRAMÃO
A partir de 1880, os meios de transporte do Brasil mudaram, seguiram a tendência mundial. Foram aposentadas as carruagens e entraram os carros a motor de combustão, com o pioneirismo para a Ford, dos EUA, cujo proprietário, Henri Ford, inovou na produção de veículos. Antes da linha da produção modernizada, os operários se locomoviam onde estava o carro e montavam; depois, o carro deslocava-se por uma esteira e o veículo chegava até os operários para serem montados. O tempo foi reduzido pela metade e o custo da produção também.
O Brasil, como o resto do mundo, importou em peso os produtos da Ford. O carro de passeio foi o mais vendido no Brasil, governo e a iniciativa privada importaram quase 10% da produção de Henri Ford.
LENDA FORDIANA
Sobre a Ford, que foi líder na fabricação durante as duas primeiras décadas, começou a sentir a concorrência no seu país. Para voltar a liderar, o velho Ford contratou 100 engenheiros para lançar novos modelos mais modernos e mais baratos. Quando os engenheiros apresentaram um novo modelo, Ford aprovou. Faltava definir a cor. O magnata respondeu: “pode ser qualquer cor, desde que seja preto”.
LIBERDADE ANUCIADA
Os brasileiros não entendem como o Brasil, que se tornou “independente” após um acordo com a família real portuguesa, praticamente meio século depois dos EUA, não se tornou uma república semelhante aos ianques. Realmente o pouco tempo entre os primeiros e nós não foi determinante para tamanha diferença. Acontece que os colonos do norte eram súditos da Coroa Inglesa, porém, se consideravam independentes, cada qual na sua colônia, eram treze que se diziam cidadãos com o título respectivo à colônia onde nasceram ou imigraram.
Os futuros estado/unidenses eram na maioria ingleses imigrantes como também de outros países europeus e asiáticos, chineses principalmente, além de muitos habitantes de outras colônias do Reino Unido, cujos habitantes ficavam encantados com o continente e preferiam ser colonos de qualquer das treze futuras repúblicas. O futuro chegou em 1776, no dia 4 de julho, oficialmente.
UMA CÓPIA DO ORIGINAL
Os 50 anos que separaram EUA e Brasil serviram para que o país do sul copiasse o do norte na política, na cultura e em outros detalhes, exceto na religião. Lá, presbiteranos e luteranos; aqui, cristianismo e catolicismo, prevalecendo o Vaticano como colonizador da fé, ganhou com isso o Brasil como o maior país cristão do mundo. Fica, portanto, demarcada a diferença entre o país do norte e o do sul (Leia-se província).
O Brasil, depois de 1822 seguiu colonizado, não por exclusividade portuguesa, mas principalmente pela Inglaterra. Frases do tipo: “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”, foram levadas ao pé da letra.
Também marcou a submissão oficial o ato de um deputado brasileiro, em uma reunião política, beijar a mão, literalmente, de um embaixador americano.
Registre-se ainda um plágio, o nome oficial dos Estados Unidos da América, ganhou cópia no nosso país: Estados Unidos do Brasil. (Mudou depois).
CHUTE NO DIAMANTE
Ainda creditado como lenda foi a coleta de ouro e diamante no chute no aluvião do Brasil. A palavra aluvião era usada para “pescar ou chutar” ouro e pedras preciosas, às margens de rios e lagos após chuvas torrenciais que provocavam enchentes gigantescas arrastando barrancos água abaixo. Depois da enchente, ao baixar das águas, entre os barrancos deslocados e lama espalhada bastava chutar o chão para acertar pepitas e pedras de diamante. Não era necessária ferramenta, bateia ou outra peça de garimpo, as mãos se enchiam naturalmente. Era a pesca do aluvião. No rastro da enchente o processo de garimpagem era manual e democrático. Todos tinham direito, claro que prevalecia a fábula de La Fontaine – o lobo e o cordeiro!
A DITA DURA
Um golpe que durou 21 anos, ao atingir a maioridade política, acabou. Foi de 1964 a 1985. Entre os cinco presidentes militares, nenhum governou de fato. Os partidos políticos foram dois: Arena e MDB. Ambos nomearam ministros que, por sua vez, nomearam os demais membros do governo. Um caos organizado!