Ócios e Negócios

MONTECAP A ERA DO MAMÃO

Na feira diária paulistana, o mamão era a coqueluche. Não mamão apenas, mas o mamão de Monte Alto. A banca que tinha o mamão era a mais movimentada. O atendente da bancada gritava a todo pulmão: “mamão… mamão de Monte Alto”. A rede hoteleira e restaurantes eram os que mais consumiam a fruta, nos cardápios, o mamão de Monte Alto era destaque. Os fregueses pediam realmente o mamão de Monte Alto, porém, acontecia um grave acidente geográfico, todos os consumidores, quando perguntados, respondiam que Monte Alto era um município de Minas Gerais, e de fato, era com o nome completo: Monte Alto de Minas.

DESTINO TERRA DO ALTO

Morando na capital paulista, eu não me dava conta que tinha sotaque, a pronúncia de Monte Alto, a palavra em si, para nós, segundo os ouvidos paulistanos era: Montearto! A gente falava e ainda fala poorta, poortão, Porrtugar e porrrtera. Ousado, o brasiliano, também conhecido como português, afirma convicto que quem tem sotaque é o nacionalista luso. O idioma falado no Brasil, oficialmente, é o português, porém, nosso português e o falado “trás da terrinha” é um estrangeirismo igual a qualquer outro asiático ou europeu.

A língua geral (Tupi-guarani), no início do colonialismo, era falada igual ou mais do que nossos algozes lusitanos. Leis coloniais proibiam a prática do idioma “nacional”. A desobediência era punida com castigos severos, em algumas regiões, a pena máxima era o degredo. Falava-se até em pena de morte.

EXPRESSÃO GENUÍNA

No interior de Minas Gerais, lavar a égua era uma expressão usadíssima por todos, brancos, negros, libertos e escravos. A fala era extremamente usada nas minas pelos mineiros. As éguas eram os animais usados para retirar a terra bruta do interior da mineração, à tarde, no final da jornada, os animais eram retirados do interior das minas e levados aos córregos e lagos para serem lavados, trabalho dos escravos de confiança e dos donos das lavras.

Chega a vez do brasileiro “honesto” entrar em campo. Lá no fundão das minas o ouro reduzido a pó, depois das pepitas socadas, era esfregado na crina e pelos das mulas (éguas). Tudo na surdina, é claro! Uma vez lá fora, o banho era completo: junto com a poeira da terra escorria o ouro, que era escondido na boca e outra parte menos nobre. A cada banho – lavava-se a égua.

REDE VAREJISTA

No interior paulista, em quase todos os municípios, tem a rede de lojas conhecida como Casas Pernambucanas. No interior do estado de Pernambuco a rede recebe o nome de Casas Paulistas. Nas porteiras das entradas das propriedades agrícolas, as Pernambucanas escreviam suas propagandas visuais. O serviço não era feito por profissionais, ficava a cargo dos funcionários das lojas, tarefa feita aos domingos, na folga! Foi por essa razão que recusei dois convites para integrar o setor de vendas da empresa, mesmo que o salário fosse maior do que eu recebia em outras lojas do comércio.

ENTRE CÃES E GATOS

Na origem não existem animais domésticos, há os domesticáveis. Mesmo domésticos jamais perdem os instintos selvagens de sobrevivência. Os humanos do mundo todo adotaram entre outros diversos, os cães e gatos como domésticos.

Os cães como armas de defesa es gatos como predadores da maior praga da terra, os ratos e familiares. Existem quatro ratos para cada humano no Planeta.

Um teste de campo para comprovar o instinto selvagem dos citados, gatos e cachorros, é coloca-los recém-nascidos em uma floresta densa, para que sobrevivam com os recursos naturais do ambiente. Tanto o cão como o gato, predadores que são, terão alimentos na cadeia de insetos e de crias de animais menores, como ninhos de aves e todas de roedores. Crescidos, os filhotes continuarão com a prática predadora. Os eleitos domésticos, alimentados com alimentos industrializados, na falta deles, voltarão ao estado primário de sobrevivência. Em tese, não existem cães e gatos mansos, todos são feras.

ANOS 80 IMPRESSOS

Monte Alto, entre as décadas de 1960 e 1980, chegou a contar com oito jornais impressos, e com até 14 colaboradores dos mais diversos setores. Todos os jornais eram semanários ou quinzenais. Os textos eram enviados com antecedência às redações, de todas, a mais bem organizada e única com linotipo era a do “O Imparcial”. Entre os colaboradores havia os assíduos e os ocasionais, até uma data, não lembrada agora, era permitido o anonimato, muita gente usava esse artifício para escrever, por motivos diversos, o mais usado era o plágio.

Sem modéstia, a qual nunca cultuei, em todo o tempo de publicação deste periódico, nunca deixei de escrever sequer uma semana. No início, usava o pseudônimo “Marcopollo”, o qual copiei de uma marca de carroceria de um ônibus da linha Empresa Cruz (Justiça seja feita, a saudosa poeta, Olga Porto, também era assídua na colaboração, “ambos nós”, semana sim semana também, “távamos lá”, cada um no seu canto). A “leitorada” agradecia!

VELHO BRASILZÃO

Os portugueses, nossos exploradores e algozes culturais, referiam-se ao Brasil, referência idiota, no plural: Brasius, ou com Z, Brazis, porque o território era gigante, se comparado à terrinha lusa, era um continente. Duas coisas os portugueses adoravam no Brasil, o ouro e as indígenas, principalmente as de “vergonhas cerradinhas”, segundo Pero Vaz Caminha, que já naquele tempo, mesmo sendo Caminha, fazia teste de sofá com as nossas botocudas.

FUMO PROIBIDO

Nos contratos de trabalho das indústrias de cigarros dos EUA, além das normas legais vigentes, consta uma cláusula especial destacada no final: é a proibição de fumar, quando desobedecida, a pena é demissão por justa causa.

Os donos das fábricas justificam a cláusula alegando que o funcionário fumante, devido às doenças do vício, falta mais no trabalho e se submete demais ao departamento de saúde da empresa.