Os monges e a busca pela paz

As tensões de uma provável Terceira Guerra Mundial têm abalado novamente a estrutura da humanidade. Caso ocorra, sabemos que a indústria bélica evoluiu muito desde a Guerra Fria. Armas superpoderosas, armas nucleares e supersônicas colocariam o mundo em colapso. Os horrores do holocausto e das bombas de Hiroshima e Nagasaki não nos ensinaram nada sobre as consequências da guerra. Homens poderosos guiam seus exércitos numa sala com ar condicionado. Basta apertar um único botão para colocar todo o nosso planeta em risco. Boa parte do mundo quer a guerra; a outra parte buscar a paz. Quem venceria?

As redes sociais têm acompanhado a saga dos monges que estão cruzando os estados americanos para levar uma mensagem de paz. Caminham devagar em um mundo apressado. Enquanto a civilização corre atrás de respostas imediatas, eles escolhem o silêncio como linguagem e a contemplação como método. Nessa escolha, aparentemente simples, reside uma profunda contribuição à caminhada pela paz: eles estão nos lembrando de que a verdadeira harmonia não nasce da pressa nem da força, mas da escuta interior. Porém, ouvir não está nos planos dos países que investem milhões em arsenal bélico para ver quem é o mais forte. Constantemente estamos nos deparando com a iminência de uma guerra sem precedentes. Não há nada o que fazer. Apenas apreciar a atitude de um grupo de monges para mudar os rumos do mundo.

O que eles estão anunciando não é apenas ausência de guerra, mas um estado do ser. Ao renunciarem aos excessos do ego, do consumo e do poder, eles demonstram que a raiz dos conflitos humanos está no descompasso entre desejo e limite. Descompasso: essa é a palavra certa. O mundo, as ideologias, a busca pelo poder estão descompassados e em desarmonia com a evolução humana. A vida monástica, marcada pela disciplina e pela simplicidade, revela que dominar a si mesmo é o primeiro e mais difícil tratado de paz que alguém pode assinar. Todavia, os líderes das grandes potências não entendem de autodomínio, mas sim em dominar o outro. E é ai que os conflitos aparecem.

Em um tempo em que a violência se normaliza e a intolerância se disfarça de opinião, os monges são uma presença contracultural. Eles não fogem do mundo; oferecem-lhe um espelho. Mostram que a paz não é um evento histórico a ser conquistado, mas um exercício diário de humildade, escuta e transcendência. Enquanto houver alguém disposto a silenciar para compreender, a esperança de paz continuará caminhando.