Os oito de março

Ao longo da história da humanidade e das suas diferentes culturas, temos observado a forma como a sociedade trata a mulher em todas as suas esferas, seja política, cultural e social. As altas taxas de feminicídeos têm provado que estamos muito distantes de proteger a vida da mulher dentro do seu espaço, inclusive, no mercado de trabalho. Se a sociedade evoluiu, é preciso que a mentalidade retrógada patriarcal e machista seja totalmente abolida. Não há mais espaço para determinados comportamentos, julgamentos e preconceitos em relação ao papel da mulher. E isso não deve partir apenas de cada individuo: é preciso corrigir os grupos que agridem verbalmente, mentalmente ou qualquer outra conduta que exponha o nome, corpo e conduta feminina. Não me refiro ao eu, mas sim a nós. A correção deve partir dos grupos e hostilizar qualquer conduta que coloque a mulher como objeto, seja na fala, na postura e no comportamento.

Conforme o que foi dito, se o pensamento da sociedade e suas culturas evoluem, é preciso que a relação homem/mulher, enquanto indivíduos que dividem o mesmo espaço, evolua também dentro de uma igualdade que ao longo do tempo tentaram negar. Não se negam direitos pelo gênero, nem pela força e nem pela formação. Direitos são direitos independentemente de tudo. Os espaços não devem ser tomados apenas por homens. Política, ciência e filosofia também têm a sua representatividade feminina. O que parece acontecer é o medo que os homens têm de serem subordinados a uma mulher. É o único motivo para os machistas não aceitarem esta representatividade. Há feitos de mulheres nos séculos passados que não ganharam notoriedade simplesmente por serem mulheres. Esta não aceitação da capacidade e inteligência feminina coloca o homem como um verdadeiro indivíduo cujas ações superadas pelo sexo oposto o colocam como ser totalmente inferiorizado. Resumindo: um verdadeiro frouxo.

A frouxidão masculina não se dá apenas na falta da sua masculinidade em ser provedor, mas também por achar que a mulher é fraca o suficiente ao ponto de não ter a sua liberdade como mulher. O pensamento machista ainda consome a sociedade e, infelizmente, assim como outros comportamentos discriminatórios, surge dentro dos lares patriarcais onde há submissão, violência física e verbal. É preciso mudar. Ou mudamos, como homem, ou seremos cúmplices de toda violência praticada pelo outro. É necessário a mudança para que haja liberdade e esperança nos oito de março da vida.