Os casos de violência contra o professor têm aumentando nas escolas pelo país. Não só contra docentes, mas sim com qualquer outro profissional que faz parte da esquipe escolar. Ser professor, há tempos, já virou profissão perigo. Estamos numa guerra contra a sociedade que queremos bem, educá-la e conduzi-la para a realização dos sonhos. Porém, ela nos vê como inimigos. A comunidade vê a escola como antagonista. Regurgitam um ódio enraizado no peito, na alma, na cultura e isso tem colocado a profissão em risco. O mais doloroso nisso tudo é perceber que a escola deixou de ser vista como espaço de transformação para se tornar palco de confrontos, humilhações e desprezo. O professor, que antes era símbolo de respeito e autoridade intelectual, hoje precisa entrar em sala de aula preparado não apenas para ensinar, mas também para suportar ameaças, agressões verbais, intimidações e, em muitos casos, agressões físicas. A lousa já não é o único desafio; o medo também passou a fazer parte da rotina escolar.
Vivemos numa sociedade adoecida emocionalmente, imediatista e profundamente intolerante. Muitos pais transferiram à escola responsabilidades que deveriam nascer dentro de casa: limites, empatia, respeito e humanidade. Quando a família desacredita o professor diante do aluno, destrói-se qualquer possibilidade de construção coletiva da educação. O estudante aprende, então, que a autoridade do educador pode ser questionada de forma agressiva, debochada ou violenta. E isso se espalha como uma epidemia silenciosa.
A internet também contribuiu para a banalização da violência e da desmoralização docente. Professores são filmados escondidos, expostos em redes sociais, transformados em memes e alvos de julgamentos cruéis. O conhecimento perdeu espaço para o entretenimento vazio; a reflexão foi substituída pela reação instantânea. Hoje, muitos jovens não enxergam o professor como alguém que constrói caminhos, mas como um obstáculo entre eles e a distração permanente.
O mais contraditório é que todos dizem valorizar a educação, mas poucos valorizam quem educa. Exigem resultados extraordinários de profissionais esgotados, mal remunerados e emocionalmente sobrecarregados. Cobram da escola aquilo que a própria sociedade abandonou: a formação ética, o senso de coletividade e o respeito ao próximo.