Quebra-cabeça de paisagens

 

É demorado até se perceber

O quanto peças de um quebra-cabeça são preciosas

Cada leve curva, declive que me trouxe até aqui

Tenho a chance de encontrar a poesia

Em peças que nunca imaginei

Procurei por paisagens inteiras

Tão belas e perfeitas quanto poderiam ser

Fiz caça a tesouros de maneira displicente

E não encontrei algo a ser diferente

Passei a odiar peças, pois elas não formavam meus sonhos

Passei a odiar as paisagens

Nutri ódio pelo que mais almejei

Até perceber e somente crer

Quando deixei meu desejo esmaecer

Os pequeninos pedaços

Juntos na harmonia da vida

Uma via pela qual experimentei poucas vezes

De tanto pensar em não sobreviver

Me tornei o alvo de minha própria sobrevivência

E por pequenas experiências

Percebi que a paisagem que mais imaginava

Não passava de pequenas peças já conquistadas

Delicados pedaços de mim que deixei passar

Pois quando se almeja voar

O primeiro passo é esquecer o medo de falhar

Nunca houve um voo sem declives

E o meu maior deles

Trouxe-me o que minha poesia pode chamar de sonhar.