Eu tinha um gato chamado de Moraes. Dei-lhe este nome devido à minha paixão pela vida e obra do poetinha Vinicius de Moraes. O felino me amou até o seu último suspiro. Quando ele partiu, um pedaço de mim foi junto. Prometi a mim mesmo que não queria mais passar pela dor de perder um animal de estimação. Moraes me protegia espiritualmente. Antes de partir e já enfermo lutando pela vida, eu ouvia o seu miado e sentia a presença do meu bichano entre os meus braços. Era um sinal de agradecimento, amor e fidelidade.
Quando ele se foi, cheguei a uma conclusão de que é impossível comparar o amor que tem o animal pelo seu tutor. É desmedido e incomparável. Não se ama na mesma intensidade, não se tem o mesmo respeito e a mesma fidelidade. Os animais são anjos materializados que nos curam das dores internas e nos trazem paz nos momentos de tempestade. Não revidam a raiva, a agressão física e verbal. Recebem-nos sempre com alegria e “lambeijos.” Trata-se de uma pureza que nenhum ser humano consegue atingir. Há mais animalidade no mundo dos homens do que no mundo animal.
Recentemente, a truculência do ser humano em relação a esses pobres indefesos nos faz sentir inúteis. Às vezes tenho vergonha da minha própria espécie. É repulsivo fazer parte da humanidade. Perdeu-se a razão sobre a importância do outro. A violência escancarada e multifacetada na sociedade nos coloca como seres inferiores. Não dá para sentir esperança no homem. Seu comportamento animalesco perante os desprovidos biologicamente de linguagem falada nos coloca na posição de um verdadeiro covarde. Já nem sei mais quem é o verdadeiro animal: se o que late ou aquele que verbaliza.
A crueldade do homem sempre existirá. Vivemos em tempos sombrios onde líderes mundiais ameaçam a vida neste planeta. Cães e gatos, se verbalizassem, poderiam nos ensinar sobre respeito e amor ao próximo. Porém não merecemos. O amor descomunal que eles sentem por nós é invejável. E o homem não sabe lidar com este sentimento. É por isso que ele mata, maltrata e ainda viaja para o exterior como se fosse algo natural tirar a vida de um animal indefeso. Falta-me ar. É deplorável a injustiça que assombra este país.