Quem é que te influencia?

Vivemos num tempo em que surgem indivíduos autointitulados de influenciadores disputando espaços e conteúdos que não nos agregam em nada. Alguns se comportam como donos de uma verdade que não conhecem e querem nos ensinar o que nunca conseguiram aprender. Rolamos uma tela infinda atrás de fatos inúteis e engraçados apenas para procrastinação e para liberação de dopamina. Enquanto isso, o professor dentro da sala de aula gasta saliva, tempo e paciência para ensinar aquele que não quer aprender e que tumultua um espaço destinado à socialização e busca pelo saber. A saliva é gasta porque verbalizamos para as paredes; o tempo, porque estamos ensinando para nós mesmos que sempre aprendemos algo a mais ao prepararmos as aulas; paciência para lidar com a indisciplina e com a quantidade de informações superficiais que os alunos trazem para o cotidiano escolar.

Lidar com conteúdos frívolos é a grande decepção do professor. Enquanto estamos falando de literatura, matemática ou qualquer outro assunto que traga determinado conhecimento na vida deste estudante, as atenções estão voltadas para o mundo das redes, tecnologias e das bestialidades ditas por pessoas que não sabem editar um texto no “Word” e querem mostrar suas futilidades em troca de curtidas e compartilhamentos. Enquanto isso, o professor sangra em ensinar e mostrar o conhecimento que, aos poucos, tem sido menosprezado por famílias e alunos. Quando digo famílias, é porque somos hostilizados ao repreender um discente que não foi educado em casa, mas esse mesmo que nos repreende, permite o consumo de barbáries nas redes que prejudicam o conhecimento que tanto lutamos para construir em cada cabeça pensante.

Talvez o pensar tenha saído de moda. O pensamento crítico tenha se tornado arcaico em tempos em que se alimentam de inteligências artificiais. O professor será o único possuidor do conhecimento, já que ele depende unicamente da sapiência para trabalhar. O mundo pode até desprezá-lo, mas chegará um dia em que este mesmo mundo se ajoelhará em seus pés e pedirá perdão. Tudo porque o desprezaram quando ele quis construir e salvar um ser humano desviado pelas utopias e artimanhas da tecnologia. A pergunta é: quem é que te influencia? Os abobalhados fazendo palhacices e dizendo verborragias nas redes ou o professor que possui a sabedoria? Que me perdoe a BNCC, porque a partir do momento que eu tiver que encarar o protagonismo de um aluno que se alimenta de conteúdos irrelevantes, não preciso mais ser chamado de professor, mas sim de “influencer” de sala de aula.