Relacionamentos Modernos

O mundo evolui, as pessoas também e a forma de se relacionar muda ao mesmo tempo. Quem nunca pensou ou falou para uma pessoa mais jovem: no meu tempo não era assim?

É natural e esperado que conforme as gerações se sucedem, os costumes, os comportamentos e o que está na moda, por exemplo, mudem também. Com os relacionamentos é a mesma coisa.

Respeitando – e entendendo – a evolução geracional, vou propor uma reflexão por aqui. Por que hoje os relacionamentos parecem tão mais difíceis e volúveis do que vivemos ou observamos há tempos atrás?

Os relacionamentos diversos que encontramos hoje são frutos da forma como as pessoas pensam e entendem o mundo e, mesmo correndo o risco de ser repetitiva, não podemos deixar de pensar nesta era de exposição e redes sociais.

Pesquisas recentes mostram que casais que são realmente felizes juntos se expõem menos em redes sociais, tem menos interesse e necessidade disto. Enquanto casais que vivem crises no relacionamento tem mais necessidade de postar sobre suas relações porque se sentem inseguros e baseiam seus relacionamentos no que veem nas redes.

O que na verdade sabemos é que a internet e as mídias sociais não são o melhor lugar para se basear em absolutamente nada. Nem em relacionamentos, nem em estilo de vida. Quanto mais as pessoas entenderem que a maior parte do que se vê ali não corresponde a realidade, menos seriam os problemas que enfrentamos hoje na saúde mental.

Relacionamento, de qualquer tipo, é uma construção diária. Um investimento de todas as partes envolvidas. Um cair e levantar constante. Porque a vida real é assim – perdemos e ganhamos. Choramos e rimos. Amamos e odiamos. Terminamos e recomeçamos.

E para se lidar com esta dualidade é preciso maturidade emocional. É preciso tolerância. É preciso aceitação. E, muitas vezes, a aceitação é entender que aquele relacionamento não está dando certo e as partes envolvidas escolhem seguir caminhos separados e tudo bem!

Mas, hoje em dia estamos em falta. Em falta com a responsabilidade afetiva, em falta – ou com preguiça – de investir nosso tempo e nossa energia para construir algo real com alguém, em falta com o comprometimento que é necessário quando escolhemos estar com alguém. E, desta forma, ninguém fica junto com ninguém. Mas, vivem a procura da pessoa que conseguirá preencher o vazio que fica.

As relações atuais estão complexas e ao, mesmo tempo, vazias. De significado, de entender o tempo e as diferenças de cada um e ousar investir nisto mesmo assim. O outro não está ao nosso lado para atender as nossas expectativas, para preencher nossos vazios ou para ser o que gostaríamos que fosse.

O outro, assim como nós mesmos, está ali para compartilhar, para somar, para dividir, nunca para completar. Ninguém completa ninguém. Cada um é o que é e escolhe ser. Associar qualquer relação, seja familiar, amorosa ou amizades, ao completar-se é frustrante, é viver a procura eterna da peça do quebra-cabeça que falta. Mas esta peça não está no outro e, sim, na gente mesmo.

Que o seu relacionamento seja, acima de tudo, saudável. Que a construção diária de compartilhar a vida com alguém te acrescente e te faça crescer. E, se não for assim, não medo de rever sua escolha.

Mas, entenda, os casais românticos e as fotos produzidas da internet carregam muito mais fantasias do que verdade. A verdade precisa de tempo, de dedicação, de respeito – e um relacionamento de verdade é cheio de desafios, não é romântico o tempo todo e não precisa de postagens perfeitas.