Revolução de 1932! Sr. Américo Salvaterra

Nossa vida é repleta de recordações – e a saudade toma conta de nosso ser. A saudade bate no peito e lembranças nos fazem florir os sentimentos.

1932 – anos passados que não voltam mais. Meu pai, Américo Salvaterra, cumpriu com seu dever e para Aquidauana foi combater a favor de São Paulo.

Casado há pouco tempo, se dirigiu ele para aquela cidade que foi palco de sua bravura, coragem, força e amor, juntamente com outros montealtenses.

Sr. Morais e outras pessoas se dirigiram para lá para servir o governo nesta data. Minha mãe, Helena, ficou à espera do marido que iria voltar brevemente (por tempo indeterminado). Com orações, votos de muita saúde, minha mãe rezava por Américo e por todos.

O tempo passou. Meu pai, como também os outros, muito trabalharam, muito guerrearam para o progresso do nosso Estado. Muito fizeram, muito dedicaram suas vidas: dormiam nas trincheiras, comiam marmita fria, bebiam da água em que porcos se banhavam e dela também bebiam.

Sombreiro? Não existia, era palheta que frigia os miolos da cabeça, as botinas que, pelo melhor dos rios, inchava o couro – dançava nos pés de quem as usava. A roupa, lavada por eles mesmos, muitas vezes eram usadas molhadas.

Por que sei de tudo isso? Meu pai voltou tempos depois, após perder muitos amigos ali mesmo no campo de batalha.

Em 1.937, minha irmã Rosa nasceu para a alegria da família.

Em 1.942, eu, Carmen Dolores, vim para este lar, satisfazendo tudo de bom que poderia acontecer.

Em 1.952, após 10 anos (eu na 1ª série da Escola Zacharias), meu pai tudo relatou a nós o quanto sofrera no combate. Nós já tínhamos alguns detalhes deste episódio (pelos jornais e fotos), a noção do sofrimento deles também. Meu pai, nesta época, trabalhava na Fábrica de Macarrão do Sr. Riemma, quase centro da cidade de Monte Alto. Tempinhos depois, minha mãe e meu pai tiveram mais duas filhas, completando o amor entre todos.

O tempo passou.

Meu pai teve a chance de trabalhar como Servente (trabalho com alunos) no Grupo Escolar de Monte Alto, hoje EMEB Dr. Raul da Rocha Medeiros.

Orgulhoso por tudo o que fazia, meu pai entregava, nos sábados à tarde, os jornais do Sr. Nadir. Percorria as ruas cidade e com seu passo curto, mas firme, quase não se cansava. Aposentou-se com todos os anos de trabalho previstos pelo Governo.

Antes de se aposentar, recebeu o convite da Prefeitura Municipal para ser homenageado pelos fatos e feitos ocorridos em 1.932. Dr. Elias Bahdur, então prefeito de nossa cidade, tudo organizou.

Numa manhã, ali na Praça, foi lembrada a Revolução de 9 de Julho de 1.932, homenageando meu pai, Américo Salvaterra.

As pessoas presentes ouviram os relatos de meu pai e a sua biografia foi revelada ali mesmo, na Praça.

Das mãos do Sr. Elias, tão querido e estimado prefeito, recebeu a Medalha e o Certificado em memória de tão Civil Batalha, tendo com meu pai, o Combatente da Revolução. São Paulo saiu vencedor e a Revolução aconteceu. Muitas fotos!

Ele se aposentou após alguns anos.

Família Salvaterra presente, se emocionou a cada palavra de lembrança que era falada e ouvida pelos microfones. Obrigada, Dr. Elias, homem de fibra, corajoso, de grande sabedoria. Cristão, se orgulhava pela tão bela e singela homenagem. De onde o senhor estiver, obrigada, Dr. Elias!

O dia 9 de Julho é celebrado por todos os anos em nosso Estado, lembrando que combatentes montealtenses serviram em 1.932 para que tudo de bom e melhor a nós, paulistas, acontecesse.

Meu pai faleceu – o tempo passou mais uma vez, e seu capacete de guerra fora colocado sobre seu túmulo anos depois.

“94 anos se passaram e tudo o que aconteceu está guardado em minha memória, em nossa memória. “Sofrimento, mas com êxito – satisfação, mas compreensão – amor, mas fé que tudo daria certo, e deu”.

Parabéns, São Paulo, estado em que moramos. E… de Monte Alto, a presença dos combatentes se fez ali na Revolução e a Constituição, na justiça das Leis, se fez ali no Estado que adoramos.

Assistindo à TV ALESP, e vendo o Desfile de 9 de Julho em São Paulo, na manhã daquela data, relembrei fato por fato o acontecido com meu Pai. A Banda tocava o Hino que ele mais gostava, Policiais marchando com continência saudando as autoridades ali presentes. Policiais atuais marchando, Escoteiros, Porta-bandeiras, discursos, Escola Superior da Polícia Militar, Viaturas da Infantaria, 3º Batalhão da Monitoria de Choque, Canil (acompanhado se seus instrutores), Balizas, Força Pública Estadual…

Com muito amor e respeito, no Palanque, pessoas ilustres se emocionaram.

Desfile Cívico gigante! Amor, Respeito, Patriotismo!

94 anos se passaram, mas tudo está em minha memória após relatos de meu pai e de minha mãe.

Obrigada, Senhor! Tudo aconteceu e meu pai, assim que São Paulo retomou o alicerce e a vida da Revolução de 1.932, já estevava em casa com sua família. Obrigada, Deus!

Monte Alto esteve presente em São Paulo e no Brasil. Pelos seus heróis, pelos montealtenses que de sol a sol cumpriram com seus deveres de cidadãos competentes e patriotas.

“Não existe nada mais poderoso que a Oração. Não existe nada mais forte que a Fé. Não existe nada maior que Deus”.

Parabéns aos aniversariantes do mês de Julho.