Saúde Mental em Risco

Cresce o número de casos de discórdias entre pais e filhos, sejam adolescentes ou jovens adultos terminando, muitas vezes, de forma trágica. Cresce o número de casos de desentendimentos entres grupos e amigos terminando, muitas vezes, também de forma trágica. Alunos sofrendo ou causando bullying, desrespeitando a autoridade do professor, se engajando cada vez menos nas propostas e atividades escolares.

O que acontece dentro das casas e nestas estruturas familiares para que as relações cheguem a tal ponto?

Nada do que estamos assistindo acontece por acaso. Nada disto começou agora, como em um passe de mágica. Tudo isto é resultado da forma como, por muitos anos, encaramos a questão da saúde emocional, o pouco que se investiu nisto e a falta de gerenciamento que muitos pais vivem na educação dos filhos.

Vivemos uma educação de opostos, sem equilíbrio. Ou temos pais altamente permissivos, que criam filhos egoístas e sem nenhuma noção da vida em sociedade, sem entender prioridades e nem aceitar frustrações, ou pais autoritários que desrespeitam – e não entendem – a forma como as novas gerações se desenvolvem e qual a maneira mais assertiva de se comunicar e explicar regras e limites.

Os anos passam, os bebês e as crianças pequenas crescem, a adolescência chega e o caos se forma. Porque aí as coisas se misturam, uma educação já falha com os conflitos naturais desta fase.

Quando falamos, há muito tempo, sobre a importância de se olhar para a saúde mental com mais atenção e cuidado, inclusive dentro da saúde pública, falamos justamente porque este cenário já podia ser previsto diante do aumento significativo de transtornos emocionais entre as crianças, adolescentes e jovens adultos, o aumento de diagnósticos – muitas vezes errôneos – o uso indiscriminado de medicações desde muito cedo e a falta de orientação para os pais e cuidadores.

Quando se trata de crianças e adolescentes, precisamos ser os adultos da situação. É muito comum ver pais e filhos se tratando em pé de igualdade, adultos e adolescentes agindo como se estivessem na mesma fase e com a mesma idade.

Quem deve olhar para o problema é o adulto. Seja ele um pai, um professor, um avô ou qualquer tipo de cuidador. Quem tem, ou deveria, ter maturidade e capacidade cognitiva de gerenciar e direcionar os conflitos destes jovens, é o adulto. Quem deve levar sua criança, seu filho – e explicar a importância disto – para uma avaliação e uma terapia, é o adulto.

Tem situações que não permite escolhas não porquê não queremos e sim porque não existe maturidade nem autonomia para que crianças e adolescentes escolham algumas coisas neste momento.

Se não nos apressarmos em olhar novamente para tudo isto com responsabilidade e seriedade, ao invés de consumir tique toques da vida com conteúdo desnecessários e informações rasas ou mesmo erradas, vamos ver tudo isto aumentar – conflitos, transtornos emocionais e, infelizmente, tragédias.