Quando sonhei por ti
Vivi, pois imaginei ser o que desejava de mim
Quando as páginas se transformaram em serpentes
Não tive outras opções
A não ser engolir cada emoção
Assim como ousou em ferir meu coração
A alma em transparência pura
Na corriqueira maneira de perder a fluência
Quando vivi por ti
Era pelo âmago que gostaria de lhe imaginar
Mesmo que tal ato corroesse meu estômago
Quando lhe contei minhas histórias
Fez questão de arrancar página por página
Por palavras que deveriam rimar
Você as roubou para ti, me deixando na penúltima lástima
Os sonhos acabaram, países maravilhosos se extinguiram
Minha mente deixou o consciente trancado
Talvez a sanidade seja algo fora da aparência
Pois, nessa essência, eu já não saberia quem sou
Você adorou cada um de meus sonhos
Até as serpentes corroerem cada centímetro da mente
Transformando letras e poemas em inconsistentes atentas
Foi lindo, antes de os pesadelos se tornarem reais
Antes de perceber que seu céu era um inferno
E o mais comum nisso tudo
É que os vilões vestiam terno.