Tomamos uma pisa do PISA

Há derrotas que acontecem no campo. Outras, nas urnas. Algumas acontecem silenciosamente, dentro de uma sala de aula, quando um jovem olha para uma questão e não consegue compreender o que está escrito. Os resultados do PISA 2025 não deveriam ser apenas números em uma tabela. Deveriam ser um alerta. O Brasil continua abaixo da média da OCDE em matemática, leitura e ciências, revelando uma defasagem educacional que não pode mais ser tratada como algo normal. Por trás de cada percentual existe um estudante. Um futuro. Uma oportunidade que pode estar sendo perdida. E esse cenário se torna ainda mais preocupante quando observamos a relação entre educação, telas e inteligência artificial.

Nunca tivemos tanto acesso à informação. Nunca foi tão fácil pesquisar, resumir, traduzir, calcular ou produzir um texto. Entretanto, acesso à informação não significa conhecimento. A inteligência artificial pode ser uma extraordinária ferramenta pedagógica. O perigo surge quando ela deixa de auxiliar o pensamento e passa a substituí-lo. O estudante pede uma redação à máquina, copia a resposta e entrega a atividade. A tarefa foi concluída. Mas será que houve aprendizagem? A máquina respondeu. O estudante não pensou. O mesmo acontece com o uso indiscriminado das telas. Celulares, vídeos curtos, notificações e redes sociais disputam permanentemente a atenção dos jovens.

A escola, por sua vez, exige justamente o contrário: concentração, leitura, paciência, interpretação e reflexão. O problema não é a tecnologia. É quando a tecnologia passa a controlar a nossa atenção. Não é a inteligência artificial. É quando deixamos de utilizar a nossa própria inteligência. Precisamos compreender que aprender continua sendo um processo que exige esforço. É preciso ler, errar, escrever, reescrever, questionar e tentar novamente. Não existe aplicativo capaz de realizar esse trabalho pelo estudante. Quem não lê tem dificuldade para compreender o mundo. Quem não interpreta pode ser facilmente manipulado. Quem não questiona pode aceitar como verdade aquilo que uma máquina, um algoritmo ou qualquer outra pessoa lhe apresenta. Por isso, nosso desafio não é afastar a tecnologia da escola. É colocá-la em seu devido lugar. Precisamos ensinar nossos jovens a utilizar a inteligência artificial sem terceirizar a própria inteligência.

Tomamos uma pisa do PISA, mas ainda podemos levantar. Desde que tenhamos coragem de reconhecer que uma educação de qualidade não se constrói com atalhos, respostas prontas ou telas cada vez mais rápidas. Constrói-se com professores valorizados, estudantes leitores e, acima de tudo, seres humanos capazes de pensar.