Trânsito hindu-monte-altense

Salve-se quem puder. Carros e motos cruzam a sua frente como se não houvesse o amanhã. Motociclistas correm de um lado para o outro como se a vida fosse um ressuscitar de videogame. As setas são dadas à direita, mas viram à esquerda. Por aqui, andam-se em fila indiana como se todo mundo fosse seguir o mesmo caminho. A duplicação das pistas foi muito avanço para quem anda na contramão, não respeita os semáforos e não usa os recursos de segurança disponíveis em seus veículos. As pessoas andam nas ruas, embora haja calçadas, exceto quando esta não foi feita por irresponsabilidade dos possuidores de terrenos. As vias interditadas sofrem transgressões daqueles que vivem sempre apressados. Passam por onde não devem passar, fazem a conversão onde não devem fazer e colocam a própria vida e a vida do outro em risco. Um verdadeiro caos.

Talvez a mobilidade urbana não acompanhou o crescimento populacional da cidade. Ou, talvez, a educação no trânsito tem diminuído drasticamente com passar dos anos. Aqui se bate em carro parado, porque o condutor tem a incrível capacidade de dirigir e digitar ao mesmo tempo. Derrubam-se as motos, porque elas ocupam espaços onde não deveriam ocupar ou porque a distração das pessoas está acima da segurança no trânsito. Aqui, alguns colaboradores colocam o caminhão atravessado na rua para executarem o seu trabalho de limpeza de poda, mas não sinalizam a rua que está interditada, forçando os condutores dar meia-volta. Colocam faixa amarela onde há espaço suficiente para passar dois veículos, mas em outras vias…salve-se quem puder e quem tiver paciência. E assim vamos cruzando ruas e avenidas a caminho do trabalho, todavia com ódio no coração ao nos depararmos com tanta imprudência e falta de paciência.

A cidade sonho está virando a cidade do caos em horários específicos. Na hora do “rush” não há um “ferryboat” para trafegar em paz e em segurança. O vai e vem de carros e motos reforça o cotidiano de uma cidade sem empatia e impaciente. Todos querem chegar ao seu destino sem respeitar que o outro procura o mesmo caminho. Vão passar por cima de você para bater o ponto do relógio. Lembre-se: sua vida é mais importante que do que a pontualidade. Há pessoas que te amam muito esperando você voltar a casa. Sua pressa e imprudência não podem destruir o amor que você deixou em casa na busca pela sobrevivência.