Em detalhes de tinta e feitos pela cor
Como se a dor de tal escolha
Lhe causasse um fervor
Por assim dizer, parecia mentira
Mas passou de mim, por pura poesia
Gostaria de poder contar
Belas verdades
Mas as mentiras da vaidade nos fazem cair
Aos prantos e em horrores
Como se o mar, daqui mesmo
Pudesse nos atingir
Sempre a pintar com tintas escuras
Corroendo o sangue ao ponto
De nem se existir mais
Transformando o mais puro toque
Em uma corrente de cores a sangrar
Dívidas pagas para esse sangue blindar
Tentando não pestanejar
Juro que tentaria em belas verdades
Mas qual sociedade
Aceitaria veias em branco a escorrer?
Como folhas de papel
Prontas para escrever
O sangue me minhas veias
Foi de pálido a inexistente
Mesmo que, de alguma forma
Houvesse precedentes
Eu jamais assumiria que esse foi
O meu maio presente.