Verbo

Eu seria a corrupção de um mau olhar

Um conjunto de peças a desenrolar

Um pedaço de algo a se dissipar

Um momento por ser e se desvendar

Verbo, verbo, verbo

A contar

Sem necessitar gritar

Um silêncio de ímpeto

Uma alma em seu declínio

Traga-me flores

Rosas e margaridas

Muitos espinhos já tive

E nunca houve um preferido

Não me veja, caso não possa me ler

Sou poesia

Desvende meu ser

Um único medo: perder o que não sei

Tão irracional quanto pensei

Verbo, verbo, verbo

A sentir e enumerar

Tão delicada quanto um verbo

Mas ainda falta dialogar

A essência de seu ser é puro ar

Jamais pôde algo além se contemplar.