Compondo aquela legislatura nomes do quilate de Dr. Júlio Raposo do Amaral, Fioravante José Canalli, Dr. Antônio Mazza, Bento Manoel de Siqueira e Dr. Adauto Freire de Andrade. Tal solenidade representou o fechamento de um dia de festividades e celebrações em Monte Alto e, sobretudo, no distrito. Este texto intenta de forma rápida apresentar alguns importantes fatos daquele dia histórico. E contribuir com a história do nosso importante distrito.
Em meio aos discursos da sessão solene, dentre os quais do prefeito, à época, José Zacharias de Lima, destaca-se o do representante do distrito, o célebre Bento Manoel de Siqueira. O discurso que foi transcrito para a ata foi elaborado e declamado em solenidade no dia pelo ex-vereador e ex-prefeito de Monte Alto. Nele consta a menção à entrega de uma placa pela prefeitura: “A Montesina e a seu fundador, Flávio Antônio de Oliveira, na passagem de seu centésimo aniversário”. Na dita “oração” de Bento Manoel de Siqueira há a menção a este fundador de Aparecida (Flávio Antônio de Oliveira), segundo ele, “um intrépido sertanista paulista”. E que juntos de outros desbravadores de sertão, no longínquo ano de 1848, celebraram a primeira cerimônia religiosa numa modesta capelinha de pau a pique coberta de sapé que foi às pressas construída. Foi uma espécie de pagamento de promessa de Flávio à Virgem Aparecida. Um pedido que teve como motivação a busca do restabelecimento de uma enfermidade a que foi acometido.
No texto, há detalhes da evolução da capela, com destaque ao sino com o brasão da monarquia, e também do incêndio ocorrido em 1899. E posteriormente detalhes da sua reconstrução. Siqueira aborda no discurso que uma escolha política da época (do distrito não ter em seus domínios a passagem da linha férrea) prejudicou a evolução econômica do distrito, mas fortaleceu nos seus moradores e visitantes a fé no distrito e seu santuário religioso. Prosseguindo, ele aborda os primeiros moradores e produtores rurais de Aparecida. Famílias que se estabeleceram e prosperaram, inclusive italianas.
Siqueira aborda outras dores de cabeça que a Igreja passou no Distrito. Como a tentativa de um proprietário rural de expandir seus domínios às custas das terras da instituição. Ou os efeitos negativos do período de 1930-1932 com a eclosão da Revolução de Outubro liderada por Getúlio Vargas e a reação materializada na Revolução Constitucionalista. Por conta destas, a evolução do santuário não aconteceu.
Por final, o saudoso Siqueira menciona as pessoas que tiveram papel protagonista na evolução do Santuário de Aparecida, seja na administração ou em doações.
Desde essa simbólica data do centenário do distrito de Aparecida, que naquela oportunidade tinha inclusive denominação diferente da atual – Montesina -, denominação que, aliás, mais lhe representa, afinal a imagem da sua padroeira trazida de Portugal pelo seu fundador é uma devoção única daquela localidade. Por influência dos italianos que por ali chegaram, passou a ser chamada de Madonna Montesina, uma referência que honra tanto as origens lusitanas quanto a contribuição italiana na formação da identidade local.
Passados 77 anos desta ata histórica, hoje o distrito comemora mais uma festividade em honra à sua padroeira. É preciso destacar que o distrito foi fundado com a primeira missa no dia 8 de dezembro, período em que também aconteciam as festividades, que foram posteriormente transferidas para setembro. Muito do que se sabe de toda a história do distrito e do seu povo em seus primórdios se dá graças a esse homem à frente do seu tempo chamado Bento Manoel de Siqueira, cujo discurso preservado nesta ata de 1948 nos permite hoje compreender melhor nossas raízes e nossa identidade.
Há muito ainda que se pesquisar e relatar deste local escolhido por Deus e berço de nossa região. Cada documento encontrado, cada relato preservado, cada memória resgatada contribui para que as futuras gerações compreendam a riqueza histórica e espiritual deste chão sagrado.
Que nas festividades de 7 de setembro, quando novamente nos reunimos em devoção à Nossa Senhora Montesina, possamos honrar não apenas a fé que nos une, mas também a memória daqueles que, como Flávio Antônio de Oliveira e Bento Manoel de Siqueira, dedicaram suas vidas à construção e preservação deste santuário. Que a Madonna Montesina continue a abençoar este distrito e todos os que aqui encontram paz, fé e esperança, perpetuando assim a tradição centenária que nos foi legada por nossos antepassados.
Vereador Prof. Me. Thiago Cetroni