
Quem já ouviu falar sobre Roberval de Oliveira ou já o viu por aí ajudando em causas importantes, sabe do que estamos falando. Um coração generoso e a filantropia fazem parte da vida do comerciante, que é sócio-proprietário da Foto Central. Leia a entrevista completa e conheça mais sobre essa história, que vai além do empreendedorismo.
O Imparcial: Conte um pouquinho da sua história com o comércio.
Roberval: Minha história com o comércio começou bem cedo, aliás minha história com o trabalho foi bem mais cedo.
Me lembro que quando fiz 9 anos chorei muito e perguntava para minha mãe porque ninguém me dava emprego….ela me pegou pelo braço e me levou até uma casa da esquina próxima e conversou com uma mulher, a senhora Zelinda Marconato, em que meu irmão Toninho (Euclides Antônio de Oliveira) já trabalhava, e eu fui para ajudar ele porque era realmente muito serviço.
Quando peguei experiência, fui trabalhar na casa da senhora Fiorin que também fazia o mesmo serviço e fiquei lá até os 12 anos…Tenho uma lembrança muito importante desta época porque além de trabalhar nestas duas casas, estudava pela manhã e às 15h todos os dias eu ganhava um copo de leite com café e um pão com manteiga quentinhos. Isto me traz muito boas recordações pelo carinho e cuidado que tinham comigo, porque em casa não tínhamos muitas vezes nem pão, nem manteiga, nem leite, me lembro que café sempre tinha. Aos 12 anos eu fui trabalhar na Selaria Oliveira, hoje conhecida como Palácio Store, com meu tio Luiz de Oliveira Filho, onde aprendi muito no ramo de loja, colocava arreios, cochinil nos carros, pegava bolas para costurar, vendia vasos de cimento com flores de plástico da brial.
Depois de 2 anos ele comprou a esquina e construiu uma loja grande que vendia de tudo, roupas, calçados, brinquedos, chapéu panamá, etc e eu era responsável pelo setor de calçados, brinquedos, montagem de motocas, bicicletas, abrir produtos que chegavam, também pelo depósito, fazia relação dos produtos para que ele pudesse encomendar.
Por fim, depois, aos 17 anos fui trabalhar na empresa do Valdecir Garbin, onde aprendi muito na parte de bancos, lidar com públicos de todos os tipos, como corretores, compradores, gerentes de bancos, empresas de máquinas esteira, sitiantes… foi muito bom para mim porque o Valdecir é uma pessoa que permite que se aprenda muito com ele.
O Imparcial: Como foi o início da sua história enquanto empreendedor e comerciante?
Roberval: Enquanto eu trabalhava no Valdecir Garbin, meu irmão Leonel de Oliveira, que trabalhava no Matsumura, iniciou em frente à praça central no ramo de fotografias e tirava fotos de bebês, casamentos, batizados e logo em seguida (depois de mais ou menos seis meses) conversando um com o outro, decidimos nos juntar para começar no ramo de produtos e iniciamos o processo.
Não poderia existir uma união melhor e mais forte do que está, porque até hoje somos inseparáveis e nos respeitamos muito e acredito que este é e foi o segredo de todo o sucesso.
No começo não foi muito fácil não, por vários motivos…não tínhamos dinheiro nenhum…ganhamos alguns produtos da minha tia Zezé de Oliveira e começamos com uma prateleira que achamos jogada, mandamos lixar e furamos para pendurar na parede com corda que achamos também. Tínhamos tanta convicção de que poderia dar certo que nem pensamos o contrário… e foi isso que aconteceu. Lembro que tudo que pediam na loja algo que não tínhamos, falávamos que iria chegar na semana que vem. Então eu corria para São Paulo e trazia para os clientes. E assim foi. Trabalhávamos de segunda a segunda; das 7h30 até 11h da noite de segunda a sexta e aos sábados para o domingo até 2 horas da manhã por causa das fotos de casamento, e aos domingos até às 12h. Essa rotina foi durante mais de 15 anos.
O Imparcial: Consegue destacar quais as maiores dificuldades e desafios?
Roberval: O grande desafio na época era que já tínhamos grandes concorrentes em todas as áreas, tanto na fotografia e nos produtos que trabalhamos hoje, como brinquedos, materiais escolares e para escritório, e na verdade nem sabíamos o que iniciar primeiro.
Buscávamos trazer novidades da época. Como nossa loja ficava e fica em frente ao Dr. Raul, as crianças ficaram loucas para comprar os quadrinhos e isso chamou nossa atenção. Começamos a colocar produtos de época, relógios digitais, presentes, depois brinquedos, depois materiais escolares e hoje também materiais para escritório, informática e uma infinidade de produtos, em que atendemos também clientes, empresas, comércio e indústrias.
O Imparcial: Você tem um lado de filantropia conhecido por muitas pessoas. Você acredita que ele também te auxilia na visão empreendedora?
Roberval: A filantropia um dia será o item indispensável para qualquer pessoa e principalmente para empreendedores…não podemos nos ausentar desta necessidade de enxergar a dor do próximo. Por mais que sofremos nossas dificuldades e problemas do dia a dia, sempre existe alguém com dificuldades e problemas maiores que os nossos e quando conseguimos entender isto, descobrimos que somos abençoados e precisamos agir. Mas vou dizer uma coisa: quando estamos envolvidos, descobrimos que muitas pessoas que ficam no anonimato fazem o bem sem saber a quem e Monte Alto é uma cidade onde a solidariedade impera naturalmente.
Os eventos que realizo são direcionados na sua totalidade para o Hospital de Amor de Barretos que atende mais de 400 pacientes da cidade de Monte Alto, e para as crianças da Casa Acolhedora Vovô Antônio também de Barretos, que acolhe crianças de todo o Brasil com alojamento, cinco refeições diárias e não pagam nada por isso. Desde 2010 para cá, quando pegamos a coordenação da casa acolhedora Vovô Antônio, conseguimos comprar um terreno de 4.000 m², construir 28 apartamentos, uma cozinha, um Fraldário, uma Brinquedoteca de 600 m² e equipamos todo o complexo num total de mais de R$2.500.000,00 atualizados neste período.
Além disso, quando pegamos a coordenação do Hospital de Amor, já conseguimos colocar muitos pacientes para serem tratados e já enviamos um total de mais de R$1.200.000,00 neste período. Nada disso seria possível se não houvesse a participação de todos estes amigos e grupos trabalhando em conjunto para que todo o sucesso até hoje acontecesse.