
A depressão infantil ainda é um tabu, porém tem aumentado consideravelmente em todo o mundo, de acordo com dados médicos que foram divulgados recentemente. Um guia do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), no Reino Unido alertou: são mais de 80 mil crianças da região que foram diagnosticadas anualmente, e dentre elas, 8 mil tinham menos de 10 anos.
No mês de maio de 2020, a OMS revelou que o transtorno depressivo é a principal causa de incapacidade de crianças e jovens entre 10 e 19 anos. No Brasil, a história não é diferente. Embora não existam dados estatísticos precisos, a incidência do distúrbio gira em torno de 1 a 3% da população que varia entre 0 e 17 anos, resultando em mais ou menos 8 milhões de jovens.
Dentre os sintomas mais comuns, estão: mudanças de comportamento, distúrbio de sono e alimentar, queixas de dores físicas sem diagnóstico do médico, medo e falta de vontade de brincar. Em crianças maiores, os sintomas podem se estender para automutilação e pensamentos suicidas.
Esses transtornos mentais podem ser acionados por algum gatilho ou possível situação ou experiência frustrante que aquela criança já tenha enfrentado, como separação dos pais, morte de algum familiar, abusos físicos ou psicológicos, mudanças bruscas, bullying escolar ou grau elevado de compromissos, aumentando o estresse. O confinamento causado pela pandemia também está inserido no debate, já que o isolamento social e o uso de aparelhos eletrônicos de forma mais constante são situações que se encaixam para o desenvolvimento desses transtornos.
Outro fator que exerce influência é o genético. Quando existem episódios de depressão na família, a probabilidade no desenvolvimento de algum transtorno mental por parte da criança aumenta de forma significativa. Caso as vítimas sejam os pais, as chances podem ser de até cinco vezes maiores. Além da depressão, outros distúrbios psiquiátricos mais comuns em crianças são o de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), de conduta e ansiedade.