Esquema clandestino de coleta de sangue de gatos é descoberto em Monte Alto

Ação conjunta da SAMA, GCM e Polícia Científica flagrou prática irregular com gatos; estudante de veterinária está preso, e o caso segue sob investigação

Uma denúncia feita à Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA) de Monte Alto levou à descoberta de um esquema clandestino de coleta de sangue de gatos. A ação, que teve início após uma postagem oferecendo R$ 50 pelo sangue de animais, resultou, até o momento, na prisão de três pessoas e vem ganhando repercussão nacional.

Com base na denúncia e em conversas por mensagens, servidores da SAMA identificaram um interlocutor que alegava trabalhar para uma clínica veterinária de São José do Rio Preto, que utilizaria o sangue para transfusões. De posse dessas informações, uma operação conjunta foi deflagrada com a Guarda Civil Municipal, a Polícia Científica e uma veterinária do município.

No local indicado, no bairro Monte Belo, foram encontradas cinco pessoas – três delas vestindo trajes e luvas de uso veterinário. A princípio, os envolvidos negaram a realização do procedimento. No entanto, prints de mensagens e o flagrante contradiziam as alegações.

Segundo a veterinária que acompanhou a ação, os gatos estariam sendo anestesiados com doses elevadas de medicamentos, sem que fossem observados fatores como o peso dos animais. “Não havia balança, equipamentos adequados, nem um profissional habilitado. Nada”, declarou.

Durante a abordagem, uma gata anestesiada tentou fugir, mas foi contida em estado desorientado. A profissional relata que o animal apresentava quadro grave, com hipotermia, hipotensão e cianose, e precisou de atendimento urgente.

Levados à Delegacia, o estudante de veterinária responsável pela coleta permaneceu preso preventivamente após audiência de custódia. A proprietária do imóvel e a mulher que intermediou o contato com a clínica foram liberadas com medidas cautelares.

Ambas estão proibidas de manter contato entre si ou com a clínica citada, e a dona da residência perdeu a guarda dos animais. Os demais envolvidos se apresentaram como “auxiliares” e relataram receber valores de até R$ 100 por procedimento, enquanto o estudante receberia R$ 300.

A SAMA retornou ao local no domingo (6) e recolheu quatro gatos e um cachorro para exames. Um dos animais anteriormente apreendidos testou positivo para FIV, uma imunodeficiência viral que pode ser transmitida entre gatos por saliva e sangue – não sendo contagiosa a humanos ou outras espécies. O caso continua sob apuração da Polícia Civil.