
Tati Denadai, assim chamada carinhosamente por conhecidos, amigos e alunos do Conservatório Municipal, é uma das estrelas do Carnaval montealtense e alegra a todos com sua voz e ‘pique’ brasileiro.
Em parcerias com os blocos Macaco Albino, Folia Tropical e outras bandas com músicos de Monte Alto e região, Tati foi uma peça fundamental para ajudar a arrastar o trio elétrico e a população pelas ruas de Monte Alto com alegria e muita música. Por isso, preparamos uma entrevista especial e carnavalesca com a cantora, que hoje conta como se sente sem os dias de folia tão ativos como antes.
O Imparcial: Conte um pouco da sua história com a música
Tati Denadai: Eu nasci em uma família muito ‘musical’. Meu avô foi um dos fundadores do Sambalanço, um grupo de bairro que tocava nos carnavais do Monte Alto Clube e Campestre nos anos 80 e 90 com os blocos de Carnaval. Eu comecei, basicamente, cantando por conta disso. Comecei a fazer aula de violão ainda novinha, incentivada pelo meu avô. Aconteciam os ensaios, eu ia com o meu avô, eu tinha 12 anos quando comecei a cantar nas matinês. Aos pouquinhos, fui perdendo a timidez.
O Imparcial: Como foi o início da sua história cantando no carnaval? Dentro dela, tem alguma memória que tenha te marcado mais?
Tati Denadai: Cantando algumas músicas da Xuxa de Carnaval e ajudando em outros refrõezinhos de enredos. Depois eu voltei a cantar nos clubes com a Folia Tropical, uma banda do Conservatório e tocávamos na Nipo, no Lions, no Herculano… com o tempo fomos migrando para outros projetos, como o bloco do Macaco Albino, que também surgiu e eu participei… e é uma delícia! Eu adoro carnaval de rua. Cantar com banda é muito diferente do que cantar com bloco, porque o peso da bateria é muito forte, então é uma super emoção. Eu adoro bateria, adoro samba e as músicas que eu mais ouvia sempre foram voltadas para o samba e a bossa nova, assim como o axé com as coreografias e interação.
O Imparcial: O que você acredita ser mais desafiador nos dias de festa de carnaval? (Quando tínhamos a folia nas ruas). Sua rotina muda muito?
Tati Denadai: O mais desafiador é que tudo muda. A rotina muda. Nós fazemos três shows, é muito corrido e eu procuro falar muito pouco para poupar a voz. Eu sou mais disciplinada, não bebo durante o Carnaval, como bastante maçã, aqueço a voz e fico mais disciplinada do que na rotina de shows mais comum. É sempre um prazer participar do Carnaval… eu curto tudo, desde a maquiagem, os ensaios, a rotina, o repertório, sem perder o agito.

O Imparcial: Quais as suas principais referências enquanto artista?
Tati Denadai: Eu gosto muito de intérprete de cantores que tem uma variedade de gêneros. Um dos meus preferidos é o Djavan… você escuta músicas românticas, de swing… na minha adolescência também gostava muito de Marisa Monte, em termos de voz, com material variado e depois Elis Regina, Maria Rita, pop rock nacional, Kid Abelha, Capital Inicial, Legião Urbana, o rock nacional… escuto de tudo! Tem muita coisa boa e a gente tem que ir abrindo a cabeça. Escuto muita coisa e gosto de fazer versões em voz e violão.
O Imparcial: Do que você mais sente falta em celebrar o carnaval como antes? Das pessoas, da energia…?
Tati Denadai: A energia das pessoas no Carnaval é diferente. É um encontro de pessoas, um feriado, as pessoas estão se reencontrando… então é uma época muito festiva e muito a cara do nosso país. Sou amante do Carnaval e da energia boa. Por conta da pandemia, isso tudo se transformou demais. Nós precisamos preservar vidas, mas acredito que podemos ter um ‘novo normal’, seguindo as medidas de segurança e se vacinando. Acredito que logo vamos voltar a ter nosso carnaval como era antes, mas seguindo tudo certinho, de forma organizada, para festejarmos essa data com muita alegria. As pessoas devem continuar se cuidando, com as orientações dos profissionais de saúde e pesquisadores… aos poucos vamos retomando e celebrando. Sou feliz por continuar cantando as músicas de carnaval, apesar de uma forma um pouco diferente.