Irmã Maria Helena se despede de Monte Alto: missão cumprida, amor multiplicado

Santa Casa de Monte Alto registra parte da vida e do legado da religiosa, como forma de homenageá-la na despedida para nova missão em Diamantina (MG)

A Irmandade de Misericórdia de Monte Alto, por meio do Provedor Roberto Afonso Colatreli, do Corpo Clínico e de todos os funcionários da Santa Casa, presta uma homenagem especial à Irmã Maria Helena Aparecida. Depois de oito anos ininterruptos de dedicação à instituição e à comunidade, ela parte para nova missão em Diamantina (MG). E uma forma justa de homenageá-la é registrar parte de sua vida e do seu legado, para que permaneçam vivos na memória de todos.

Natural de São Francisco de Paula (MG), no seio de uma família católica praticante, ela foi criada em Goiás. Desde cedo trazia no coração o desejo de servir. Aos quatro anos, ao ouvir sua mãe contar a vida de Santa Rita de Cássia, decidiu que queria ser como ela. O chamado amadureceu em seu coração até que, ao ouvir um programa vocacional na Rádio Aparecida, procurou a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo – Scalabrinianas. Em fevereiro de 1975 iniciou sua formação – Postulantado – e três anos depois professou os votos de castidade, pobreza e obediência. O carisma da Congregação — servir migrantes e necessitados — tornou-se sua missão para sempre.

Dias após sua profissão, chegou a Monte Alto e iniciou sua atuação na Santa Casa. Ao todo, esteve na cidade por quatro períodos: fevereiro de 1978 a abril de 1982; agosto de 1983 a abril de 1984; maio de 1988 a março de 1989; e, quase três décadas depois, retornou em fevereiro de 2017, permanecendo até agosto de 2025.

Foi aqui, em sua primeira vinda, que retomou os estudos interrompidos ao ingressar na vida religiosa. Cursou o colegial na escola Dr. Luiz Zacharias de Lima e guarda na memória e no coração os professores e amigos daquela época. Mais tarde, fez também cursos superiores.

Em seus 47 anos de vida missionária, viveu 23 deles em missão fora do Brasil.

De volta ao país e também a Monte Alto, dedicou-se integralmente ao hospital e aos por ali passaram. “Irmã Maria Helena sempre acolheu e voltou seu olhar a todos, levando sua palavra de conforto e de fé nos momentos mais difíceis dos enfermos, nos cuidados e na recuperação física e emocional dos pacientes, especialmente os menos favorecidos, internados na ala SUS, contou o Provedor Beto Colatreli.

Além da dedicação à Santa Casa, a Irmã também desenvolveu trabalhos junto às Pastorais das Paróquias e da Diocese, à assistência espiritual a enfermos, familiares e enlutados, sendo presença constante e consoladora nos velórios.

No triste período da pandemia de Covid-19, atuou com coragem e compaixão, levou informações e conforto a familiares de pacientes — muitos deles em diferentes continentes, na divulgação dos boletins médicos.

Nesta despedida, Irmã Maria Helena deixa um rastro de gratidão: agradece à Diretoria da Santa Casa pela acolhida, na pessoa do Provedor Beto Colatrelli; aos médicos do Corpo Clínico; a cada funcionário, sem distinção; às companheiras de missão, Irmã Inêz e Irmã Zenaíde; aos Padres da Paróquia e da Diocese; e a toda população de Monte Alto. Diz que gostaria de abraçar um por um, mas, como não é possível, deixa seu recado: “Sintam-se abraçados”.

E quando lhe perguntaram se sentiria saudades, respondeu:

“Amo tanto a cada um que os sinto muito presentes. Não há vazio no meu coração, não há espaço para saudade, tamanha é a presença de cada um de vocês em mim. Parto com a certeza de que tudo o que eu fizer na minha nova missão vocês estarão comigo e com minhas irmãs de caminhada, Irmã Maria Lelis e Maria de Lourdes, por meio da nossa oração. Levo um pedacinho de cada um comigo.”

Assim, Monte Alto se despede de uma religiosa cuja vida é sinônimo de fé, coragem e amor ao próximo. Ela segue, mas seu legado permanece.

Obrigado, Irmã Maria Helena.