No Brasil, quase metade dos consumidores já usa IA para decidir suas compras

Quase metade dos consumidores brasileiros já utiliza ferramentas de inteligência artificial para pesquisar produtos ou tomar decisões de compra, enquanto o uso pouco transparente da tecnologia pode colocar em risco a confiança nas marcas.

 

São Paulo, agosto de 2026. — 46,5% dos brasileiros já recorrem a ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Copilot para pesquisar produtos ou tomar decisões de compra, enquanto o uso pouco transparente da IA pode afetar a confiança nas marcas.

Ao mesmo tempo em que a IA facilita a produção de textos, imagens, campanhas e outros conteúdos, também aumenta a quantidade de informações com as quais as marcas competem pela atenção. Para a Acquia, empresa especializada em experiências digitais, o desafio para as equipes de marketing já não é apenas produzir mais rápido, mas conseguir que seus conteúdos continuem sendo reconhecíveis, relevantes e confiáveis.

A preocupação não é apenas teórica. Uma pesquisa da YouGov mostra que 59% dos consumidores perdem a confiança em uma empresa quando ela não informa que utilizou inteligência artificial, enquanto 63% declaram uma perda de confiança quando consideram que o uso da tecnologia foi enganoso.

“O problema não é utilizar IA. O problema aparece quando todas as marcas começam a utilizá-la da mesma maneira”, afirma a Acquia. “A tecnologia pode acelerar a produção, mas a identidade, o contexto e o critério continuam sendo responsabilidade das marcas”.

A expansão da IA generativa reduziu o tempo e os recursos necessários para criar conteúdo. Uma mesma ideia pode rapidamente se transformar em diferentes formatos, idiomas e versões para distintos canais. Mas essa facilidade também pode gerar um efeito contrário ao esperado: mais conteúdo não significa necessariamente mais relevância.

O consumidor brasileiro está entre os mais abertos a permitir que a inteligência artificial assuma parte de suas decisões de compra. É o que mostra o estudo Agentic Commerce Consumer Study, realizado pela Visa com 4.000 consumidores do Brasil, dos Estados Unidos, do Reino Unido e de Singapura. 76% dos brasileiros afirmam que pretendem utilizar agentes de IA para realizar compras, um percentual significativamente superior ao registrado nos Estados Unidos, de 44%.

A confiança também se destaca. 67% dos brasileiros afirmam sentir-se muito ou extremamente confiantes ao permitir que agentes de IA realizem compras em seu nome, enquanto 57% afirmam manter a sensação de controle sobre toda a experiência. Nos Estados Unidos, esses percentuais são de 35% e, em Singapura, de 34%, respectivamente.

Os dados mostram que o consumidor brasileiro não apenas apresenta maior disposição para adotar o comércio mediado por IA, mas também demonstra níveis mais altos de confiança para deixar parte de sua experiência de compra nas mãos de agentes inteligentes.

Para a Acquia, as marcas precisam incorporar seu próprio conhecimento, linguagem e contexto aos processos de produção para evitar que a automação acabe gerando comunicações intercambiáveis. Nesse cenário, produção, consistência, governança, presença digital e conversão se tornam aspectos cada vez mais importantes para as equipes de marketing.

A mudança também não se limita à maneira de produzir conteúdo. Ela também está modificando a forma como os consumidores buscam informações. Com quase metade dos brasileiros utilizando ferramentas de IA para pesquisar ou decidir suas compras, as marcas começam a competir por um novo espaço de visibilidade: as respostas geradas pelos sistemas de inteligência artificial.

Por isso, conceitos como AEO (Answer Engine Optimization) e GEO (Generative Engine Optimization) estão ganhando espaço ao lado do SEO tradicional. A preocupação já não é apenas aparecer entre os primeiros resultados de um mecanismo de busca, mas conseguir que uma marca seja identificada pelos sistemas de IA como uma fonte relevante e confiável.

Isso exige conteúdos claros, atualizados e respaldados por informações que possam ser interpretadas por esses sistemas, mas também uma presença digital consistente ao longo do tempo. Em outras palavras, a marca precisa construir uma identidade que possa ser reconhecida tanto pelas pessoas quanto pelas novas ferramentas que mediam seu acesso à informação.

Para a Acquia, a capacidade de gerar conteúdo em alta velocidade pode rapidamente se tornar um padrão de mercado. A diferença estará no que cada empresa conseguir construir em torno dessa tecnologia: escala para responder à velocidade do mercado, autenticidade para manter a diferenciação, governança para garantir qualidade e consistência, e performance para conectar o conteúdo aos resultados de negócio.

“A IA não substitui a identidade de uma marca; ela pode amplificá-la ou diluí-la”, afirma a Acquia. “A diferença estará em como cada organização incorpora seu conhecimento, seu contexto e seus critérios à operação de conteúdos”.

Nesse novo cenário, a pergunta para as equipes de marketing deixa de ser quanto conteúdo podem produzir e passa a ser que conteúdo merece ser encontrado, lembrado e considerado confiável.

Sobre a Acquia

A Acquia é uma plataforma de experiência digital que ajuda as organizações a criar, gerenciar, publicar, personalizar e otimizar experiências digitais em escala. Sua tecnologia conecta conteúdo, dados, inteligência artificial e experiências digitais para ajudar as marcas a transformar suas operações e gerar resultados de negócio.