Outubro Rosa reforça prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama

Campanha amplia o acesso à informação sobre fatores de risco, sinais de alerta e mamografia; INCA estima 78,6 mil novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028

O Outubro Rosa é uma campanha anual de conscientização sobre o câncer de mama. Ao longo do mês, instituições públicas, entidades de saúde e organizações sociais promovem ações para divulgar informações sobre prevenção, diagnóstico precoce, exames e acesso ao tratamento.

De acordo com a estimativa mais recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar 78.610 novos casos de câncer de mama em cada ano do triênio 2026–2028. O número representa um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres. Excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença é o tipo de câncer com maior incidência entre as brasileiras.

Dados do INCA também mostram que foram registradas 20.849 mortes por câncer de mama no país em 2024. A idade é um dos principais fatores de risco: aproximadamente quatro em cada cinco casos ocorrem depois dos 50 anos. Embora seja mais frequente na população feminina, a doença também pode atingir homens.

Sinais devem ser investigados

O câncer de mama pode se manifestar de diferentes maneiras. Entre os principais sinais de atenção estão o aparecimento de nódulo endurecido ou que aumenta de tamanho, mudanças no formato do mamilo, retração ou alteração na pele da mama, aspecto semelhante à casca de laranja e saída de secreção com sangue por um dos mamilos.

A presença de uma alteração não significa necessariamente que exista um tumor maligno. Mesmo assim, o Ministério da Saúde orienta que sinais persistentes ou suspeitos sejam avaliados por um profissional. Quando há indicação clínica, a mamografia diagnóstica pode ser solicitada em qualquer idade. Outros exames, como ultrassonografia e biópsia, podem fazer parte da investigação.

O INCA recomenda que as mulheres conheçam o próprio corpo e observem as mamas em situações habituais, como durante o banho ou ao trocar de roupa. Essa observação ajuda a perceber possíveis mudanças, mas não substitui a avaliação profissional nem a mamografia indicada para rastreamento.

Mamografia e rastreamento

As orientações atuais do Ministério da Saúde preveem mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos que não apresentem sinais ou sintomas. Para mulheres entre 40 e 49 anos, o exame pode ser realizado por demanda, depois de uma conversa com o profissional de saúde sobre riscos e benefícios. Acima dos 74 anos, a indicação deve considerar as condições clínicas e a expectativa de vida de cada pessoa.

Pessoas com histórico familiar relevante ou risco elevado precisam de avaliação individualizada. Nesses casos, o acompanhamento e a idade de início dos exames podem ser diferentes dos adotados para a população em geral.

Hábitos associados à redução do risco

O câncer de mama não possui uma causa única. Alguns fatores, como idade, histórico reprodutivo e alterações genéticas hereditárias, não podem ser modificados. Outros estão relacionados ao comportamento e ao ambiente.

Segundo o INCA, manter o peso corporal adequado, praticar atividade física, adotar uma alimentação saudável e evitar o consumo de bebidas alcoólicas sãomedidas que podem contribuir para reduzir o risco. A amamentação também exerce efeito protetor.

A campanha do Outubro Rosa busca ampliar o conhecimento sobre esses cuidados e facilitar a procura pelos serviços de saúde. No Sistema Único de Saúde, aUnidade Básica de Saúde é a principal porta de entrada para orientações, avaliação de alterações nas mamas e encaminhamento para exames quando necessário.