Ribeirão Preto é a primeira cidade do estado a adotar novo modelo de rastreamento do câncer de colo de útero

Teste molecular substitui o tradicional exame Papanicolau, garantindo mais precisão na detecção de lesões

Ribeirão Preto tornou-se a primeira cidade do estado de São Paulo a adotar o novo modelo nacional de rastreamento do câncer de colo de útero, substituindo o tradicional exame Papanicolau por uma testagem mais moderna e eficaz baseada em biologia molecular.

A iniciativa, anunciada oficialmente em agosto na Unidade Básica de Saúde (UBS) Doutor Sérgio Botelho da Costa Moraes, no bairro Ipiranga, entrou em vigor neste mês e tem como público-alvo mulheres com idade entre 30 e 65 anos, faixa considerada prioritária para o rastreamento.

O novo exame, oferecido gratuitamente pelo SUS, utiliza a técnica de PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que permite detectar diretamente partículas do DNA do HPV – vírus responsável por cerca de 70% dos casos de câncer de colo de útero, segundo o HPV Information Centre.

A médica e professora Silvana Quintana, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, explica que o PCR representa um avanço significativo. “Com essa técnica, conseguimos identificar se a mulher tem um tipo de HPV de alto risco. Caso positivo, ela é encaminhada para colposcopia, um exame que permite visualizar possíveis lesões no colo do útero”, afirma. Segundo ela, mesmo que não haja lesão no momento, a paciente passa a ser acompanhada de forma especial, devido à presença do vírus oncogênico.

Silvana acredita que Ribeirão Preto foi escolhida para iniciar a implementação no estado por conta da excelência do sistema de saúde local e das parcerias consolidadas com o Hospital das Clínicas da FMRP e laboratórios de ponta. “Essas condições favorecem uma implantação rápida, segura e eficiente”, avalia.

Utilizado no Brasil desde os anos 1980, o Papanicolau é um exame citológico que analisa alterações morfológicas das células, já decorrentes da infecção. Apesar de ter sido fundamental por décadas, sua sensibilidade é menor e tende a diagnosticar tumores em estágios mais avançados.

“Diferente da citologia, que não detecta o vírus, o PCR identifica a presença do HPV mesmo antes do desenvolvimento das lesões”, explica Silvana. A sensibilidade do novo exame para detectar o vírus de alto risco é de 97%, contra 91% obtidos após três coletas do Papanicolau. “Com o PCR, basta um único exame negativo para garantir um intervalo seguro de cinco anos entre as coletas”, afirma a médica.

A adoção do novo exame será ampliada gradualmente em todo o país, com a meta de que, até dezembro de 2026, toda a rede pública brasileira ofereça o teste molecular para rastreamento do câncer de colo de útero. Inicialmente, um município em cada estado foi selecionado para iniciar a substituição.