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	<title>Isa Oliveira &#8211; Jornal O Imparcial</title>
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	<title>Isa Oliveira &#8211; Jornal O Imparcial</title>
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		<title>A CLAVÍCULA E O HORIZONTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 18:02:25 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Há cerca de dois anos, despedi-me destas páginas e, acreditei eu, da própria literatura. Ateei fogo em minha gaveta de ideias, num rito de passagem que buscava o silêncio. Mas a vida, em sua teimosia poética, provou que posso sair da literatura, mas a literatura jamais sairá de mim.</p>
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<p>E hoje, volto ao solo sagrado do Imparcial para narrar um nascimento — o meu — e a história de um homem que usava o branco não apenas como uniforme, mas como estandarte de dignidade: o Dr. José Jesus Victório Rodrigues.</p>
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<p><strong>O médico que me fez nascer duas vezes</strong></p>
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<p>Muitos em Monte Alto lembram-se dele como o prefeito respeitado ou o médico incansável que, mesmo no topo da vida pública, jamais deixou de atender seus pacientes. Para mim, porém, ele foi o primeiro homem a me “ferir” para que eu pudesse respirar.</p>
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<p>Eu nasci com quase cinco quilos (4.950kg, para ser exata), um desafio hercúleo para um parto normal. Eu era um bebê grande demais para os contornos do momento, e acabei “entalada” entre a vida e o abismo. Foi o Dr. José Rodrigues quem, com a precisão de quem sabe que a dor às vezes é o preço da existência, quebrou a minha clavícula para me tirar dali. Aquele “estalo” foi o meu primeiro grito de liberdade.</p>
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<div>
<p>Anos mais tarde, esse mesmo médico-prefeito, que nunca abandonou o branco da medicina pela zona de conforto do poder, salvou-me pela segunda vez. Em nossas conversas, ele percebeu que o meu coração já não cabia nos limites geográficos de nossa cidade, que, apesar de nascida de um sonho, já não comportava os meus.</p>
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<p><strong>Escreva muitos livros!</strong></p>
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<p>Com o mesmo vigor com que quebrou meu osso ao nascer, Dr. José me deu o “pontapé’ necessário: numa conversa, em frente da redação do Imparcial, ainda na 15 de Maio, ele aconselhou-me a ganhar o mundo, a buscar São Paulo, conquistar novos horizontes: “Minha filha, vá atrás dos seus sonhos. Escreva muitos livros e faça a nossa cidade se orgulhar de você! Leve Monte Alto aonde você for, mas, vá. Porque, se ficar aqui, pequena, acanhada, a dureza da vida vai acabar aniquilando você.”</p>
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<p>E assim fiz. Aos 25 anos, com uma fratura na alma por deixar minha família, meus amigos e a cidade que me viu nascer, eu “parti sem olhar pra trás, pois se olhasse, eu sabia, não poderia sair daí nunca mais”, levando na bagagem apenas o vir a ser, deixei para trás as dores do que tinha sido, como começar trabalhar de empregada doméstica na casa de uma professora aos dez anos de idade, trocando as bonecas pela servidão. (Felizmente, hoje os tempos são outros, e em nossa cidade já não há exploração do trabalho infantil; professoras defendem as crianças disso, em vez de levá-las para trabalhar em sua casas).</p>
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<p><strong>O gesso da sobrevivência</strong></p>
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<p>Na fratura da primeira infância, fiquei 40 dias enfaixada, com o braço direito preso por ataduras junto ao corpo, cobertas por uma camada de gesso. Uma tortura para um bebê recém-nascido, que quer explorar o mundo com as mãos.</p>
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<p>Na fratura da vida adulta, mais uma vez o braço ficou preso junto ao corpo pelo gesso da sobrevivência. As ataduras que me prenderam foram o Metrô de São Paulo e a Caixa Federal, o ganha-pão que garantiu o sustento e a educação do filho.</p>
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<p>Mas, como um “parteiro de destinos”, o Dr. José Rodrigues previu a escritora antes mesmo de o livro ser escrito, garantindo que eu tivesse a coragem de transformar as tristezas, a labuta e as memórias de Monte Alto em literatura. E, assim como ele garantiu à minha mãe que eu não teria sequelas pela quebra da clavícula, a convicção de seu conselho garantiu que eu libertasse a mão da escrita do gesso que a oprimia.</p>
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<p><strong>No sem-pressa do existir</strong></p>
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<p>Com as mãos e alma livres, realizei o sonho de entrar na USP, e nas torres de marfim da academia descobri que a minha literatura é da palavra lascada e não do verbo polido, ela nasce do chão batido e do suor da lida e não do mofo das teorias.</p>
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<p>No sem-pressa do existir, depois de virar “bixo” da Fuvest aos 40, encontrei o grande amor e me casei aos 50 e agora, aos 60, volto à minha terra natal para anunciar o lançamento de uma trilogia na qual muitas histórias têm Monte Alto por cenário.</p>
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<p><strong>Doces Memórias</strong></p>
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<p>Enquanto escrevo este artigo, deixo que meus pés toquem o mesmo chão pisado pelos Titanossauros, sinto a irregularidade dos paralelepípedos da Rua Nhonhô do Livramento antes da camada asfáltica, e me recordo da crocância dos pães da Padaria Delícia. Encanto meus olhos com as belas vitrines do Lojão da Cidade e respiro a nostalgia da lembrança dos Cines Guarani e São Jorge, da Farmácia da Escada e do inigualável pastel do Carlos Murakami.</p>
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<p>Viro na Rua Carlos Kielander, passo em frente da Santa casa de Misericórdia, onde fui quebrada pela primeira vez, e sigo tranquila até o nº 711, sentindo o aroma do doce de goiaba da Dona Joana Collatrelli. A tímida casinha branca da esquina, palco de tantas memórias, já não existe, mas o cheiro do chapéu do meu pai permanece lá, inalterado, assim como a lembrança de meu amigo Alberto, que vinha me visitar todas as tardes e me ensinava o encanto dos voos da imaginação.</p>
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<p>O Dr. Rodrigues partiu há anos, mas seu legado de respeito e seu compromisso inabalável com o outro permanecem vivos. Ele me ensinou que ser dura — seja na lida da vida ou na honestidade do texto — é a única forma de ser verdadeira, mas, por baixo da dureza há um derretimento sem fim, que eu venho partilhar com vocês, convidando-os para conhecer a Trilogia do Chão, que começa com o relançamento do meu livro de contos O chapéu de Alberto, em sua 3ª edição, seguido pelo Trópico de Capricórnio e pela A noiva do Calango.</p>
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<p>Este livro pode ser lido gratuitamente pelos clientes Kindle na Amazon este fim de semana (promoção válida até 17 de março). É só acessar o link <a href="http://www.amazon.com.br/dp/B0GS55LQM2">www.amazon.com.br/dp/B0GS55LQM2</a> para conhecer o ebook ou o livro físico.</p>
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		<title>Passando de fase</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/passando-de-fase/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jul 2024 18:58:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Passar de fase é um grande passo no videogame, mas, passamos de fase também na vida. E, não&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Passar de fase é um grande passo no videogame, mas, passamos de fase também na vida. E, não sem pesar, recebi a notícia de que nosso querido Imparcial não terá mais a sua versão impressa. “Uma nova fase”, me disse a Mariana, mas, diferente do menino que vibra ao passar de fase no jogo, eu não vibrei.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">É preciso compreender que o mundo mudou, que estamos na era do digital e que o jornal também deve se adequar a essa tendência. No entanto, não deixa de ser triste essa despedida de um formato que está aí há quase 60 anos.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Comecei a fazer parte do Imparcial em 1983, e isso foi uma das grandes conquistas da minha via, que nortearia meu futuro profissional e minhas principais escolhas. Uma delas, a de sair de Monte Alto para ir trabalhar no Estadão.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Ainda me lembro vivamente do dia que o Romeu, proprietário do jornal, foi à minha casa para se despedir, na véspera de minha partida, agradecendo pelos anos em que integrei o time do Imparcial e me desejando boa sorte.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Fiquei dois anos no Estadão, mas, não tinha o mesmo encanto que trabalhar no Imparcial, onde fazia as entrevistas, redigia as matérias, ajudava na diagramação e na revisão. Lá, na cidade grande, no jornal grande, tudo era muito frio e impessoal e isso me fez descobrir que o meu encanto era a literatura, não o jornalismo.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Trabalhei em empresas que não tinham absolutamente nada a ver com a escrita e fui construindo uma carreira paralela, dando forma aos meus textos.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Em 2012, quando meu filho foi ordenado sacerdote, escrevi um artigo sobre o evento para ser publicado no Imparcial e, a partir dele, não parei mais. Mesmo estando fora de Monte Alto, semana sim, semana não, estou aqui com vocês. Ora artigos que agradam, ora que desagradam, mas, fazendo parte deste sonho, porque manter um jornal, numa cidade pequena, nos dias atuais, não é apenas para jornalistas, mas, para sonhadores, para idealistas.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Ainda gosto do cheiro do jornal, assim como do livro impresso. É claro que me atualizei e uso muito a internet, sobretudo para pesquisas de trabalho, mas, ainda prefiro ler algo que consiga segurar nas mãos, virar a página.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Como já devo ter escrito aqui, na época em que trabalhava presencialmente no Imparcial, uma página para a impressão, cujas linhas eram feitas de chumbo, na linotipo, pesava cerca de 35 quilos.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Assim que o Zé Luís montava a página, os meninos a transportavam para uma mesa grande, passavam tinta sobre os tipos, colocavam uma folha em cima, davam uma umedecida nela e passavam um rolo parecido com um pau de macarrão por cima. Era o que se chamava prova.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Aí essa página ia para a frente e fazíamos a revisão, uma pessoa lendo o texto impresso, em voz alta, e outra acompanhando no texto original. Os erros eram marcados e a página voltava para dentro, para as correções e, só depois, começava a rodar.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Muitas vezes, distraídos, esquecíamos que era tinta fresca e encostávamos o braço, ficando com parte da página impressa nele</span><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">. Eu era campeã nisso. Vivia com o braço sujo de notícias!</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Normalmente, nossas edições eram de 12, 14 páginas, então, dá para imaginar o trabalhão que era. Dia de fechamento, era uma loucura! Às vezes surgia algum acontecimento importante na última hora. A gente fazia a cobertura e nem dava tempo de datilografar antes de mandar para a gráfica, ia manuscrito mesmo. Minha letra sempre foi terrível e o Toninho, linotipista, era uma das poucas pessoas capazes de entendê-la</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Mais tarde, quando eu já não estava mais lá, o sistema mudou. O jornal foi vendido e redação e gráfica se separaram. O jornal começou a rodar em Off-7 e o trabalho da equipe ficou um pouco mais fácil.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">E agora, nem uma coisa nem outra. Evoluímos e migramos para o digital. O Imparcial, sem dúvida, continuará com a mesma qualidade, podendo até publicar mais coisas, sem a limitação de tempo e espaço que havia no jornal impresso.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Mas, para mim, ainda está com um gosto de despedida, de ruptura. Imagino que a decisão não foi fácil para nenhum dos integrantes, porém, necessária. Outros tempos, outros rumos. Passamos de fase.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Certa vez, ouvi um historiador dizer que a humanidade nunca teve tanto conhecimento como em nossos dias, porém, nunca o conhecimento foi tão vulnerável. Ele justificou seu raciocínio evocando desde as inscrições rupestres nas cavernas, que nos permitiram ter uma ideia de como viviam nossos antepassados, a escrita cuneiforme, criada pelos sumérios, presente em documentos importantes como o Código de Hamurabi, até o alfabeto criado pelos fenícios e usados por nós até hoje.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">O conhecimento antigo só se perpetuou porque ficou registrados em pedras, em pergaminhos e, mais tarde, no papel, já bem mais frágil. A cultura digital, reúne tudo que se queira saber e o Google é praticamente uma entidade com poderes quase divinos, à qual todos recorrem para pesquisar sobre qualquer assunto. Mas, todo esse conhecimento está “na nuvem”. E se um dia essa nuvem chover? Ou seja, se nossa civilização desaparecer por algum motivo, como serão acessados esses registros? Pode ser que tudo se perca pela sua imaterialidade.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Mas, são apenas conjecturas. O futuro não nos pertence. Sentirei falta de receber o jornal, quase sempre com muito atraso, porque o Correio está muito longe daquilo que foi um dia e o atraso na entrega das correspondências tornou-se praticamente um padrão. Mas, enfim, sentirei falta de receber o jornal, tirar do saquinho, recortar o meu artigo, colar numa folha de sulfite e guardar numa pasta. Tenho umas cinco pastas, pois faço isso desse o primeiro artigo que publiquei, lá em 1983.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">É algo que faço com muito carinho. Faz parte de minhas memórias. É claro que posso passar a imprimir o artigo da internet e continuar pondo na pasta, mas, talvez esse cuidado todo, ao longo de tantos anos, tenha sido uma tarefa inútil, pois, após a minha partida, é provável que o destino dessas pastas, com tantos recortes amarelados, seja um saco de lixo e rua.</span></p>
<p class="cvGsUA direction-ltr align-justify para-style-body"><span class="OYPEnA text-decoration-none text-strikethrough-none">Enfim, passamos de fase. Um dia, chegaremos ao final do jogo.</span></p>
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		<title>O estado é laico, mas a prefeita não!</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/o-estado-e-laico-mas-a-prefeita-nao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Jun 2024 12:43:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Esta matéria chega com certo atraso, e faço aqui o mea culpa: envolvidíssima com alguns projetos, perdi o&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Esta matéria chega com certo atraso, e faço aqui o mea culpa: envolvidíssima com alguns projetos, perdi o tempo de entrega do artigo logo após o aniversário da cidade, quando ele faria mais sentido. Mas, sempre é tempo de se dizer as coisas que importam serem ditas.</p>
<p>Viajei a Monte Alto para o 15 de Maio. Fazia muitos anos que não passava um aniversário da cidade aí. Põe anos nisso! Mas, dessa vez, decidi ir, mesmo o feriado local caindo no meio da semana.</p>
<p>Cheguei no dia 14 à noite, me deliciei com jantinha deliciosa da Taína Collatrelli (prometi a ela que não diria que temos mais de 50 anos de amizade para não entregar o ouro, mas, não resisto, porque é bom demais ser amiga de alguém há tanto tempo assim).</p>
<p>Bem, comi a jantinha deliciosa e fui dormir na expectativa do dia seguinte. Levantei cedinho e fui para a Missa. E foi ali que começou a minha surpresa. Como era a Missa oficial de aniversário da cidade, era óbvio que as principais autoridades do município estivessem presentes.</p>
<p>Teve o maravilhoso hino composto pelo saudoso Dr. Adaucto Freire de Andrade, entrada das bandeiras do país, estado e município e, para não fugir ao protocolo, ao final da celebração, um discurso da prefeita, Maria Helena.</p>
<p>Muito elegante, em um macacão de renda sob um discreto blazer, ela tomou a palavra e a única coisa que pensei foi: “Será que ela vai falar muito ou pouco? Afinal, aqui não é um palanque, mas a casa de Deus.” Confesso que considerei também que o efeito da saciedade da janta do dia anterior já tinha passado e que eu estava varada de fome, doida para tomar um bom café.</p>
<p>Preciso deixar claro que, diferente de quem vive em Monte Alto, eu não conhecia a Maria Helena. A vi apenas uma vez, de longe, quando ainda não era prefeita e revi agora, nesse 15 de Maio.</p>
<p>Como ocorre todo político em exercício, na cidade deve haver as pessoas que a apoiam e as que a ela se opõem. A minha posição, porém, é absolutamente neutra.</p>
<p>Dos políticos, no tocante à religião, podemos esperar duas posturas: há aqueles que se fundem ao Estado e se declaram laicos, para não se comprometerem. E há aqueles que se declaram “evangespiritólicos”, ou seja, são evangélicos com os evangélicos, católicos com os católicos, espíritas com os espíritas e batem tambor com as religiões de matriz africana, a fim de agradar a todos (menos a Deus, obviamente) e garantirem seus votos.</p>
<p>De um modo geral, mesmo que não cheguem a esse hipócrita exagero ecumênico, políticos e pessoas comuns têm protagonizado um fenômeno estranho: a vergonha católica. Muitos são católicos, a religião mais antiga e mais tradicional, que está, inclusive, na base da fundação de praticamente todas as cidades de nosso país, e do próprio país, não é à toa que o primeiro nome do Brasil foi Terra de Santa Cruz. No entanto, para não ferirem os evangélicos, preferem esconder que são católicos e se dizem apenas cristãos.</p>
<p>Se estão com os espíritas, viram adeptos da reencarnação, não por acreditarem nela, mas para ficar bem com os irmãos que acreditam. E tem até uma corja de ateus que, em época de eleição, até comunhão vai tomar, sem nunca ter participado de uma Missa na vida, só para parecer simpático aos eleitores católicos.</p>
<p>Eu presumi que o discurso da prefeita seria político e, como já disse, torci para que fosse breve. Não foi excessivamente longo, mas, também não foi um relâmpago. Teve a duração exata para dar o seu recado muito bem dado. Admirada, eu percebi que tinha diante de mim uma mulher católica que não se envergonha de ser católica. Tanto é que retomou as origens de nossa cidade, desde o sonho de Porfírio, dentro desse viés de fé. Com palavras firmes e sábia, falou da importância da religião para a vida harmoniosa de uma cidade e fez o magnífico gesto de consagrar Monte Alto ao Bom Jesus. Não que ela já não fosse consagrada, mas, certamente, não era dessa forma.</p>
<p>Depois da Missa, fiz questão de cumprimentá-la, porque ela também não me conhecia, a não ser pelas palavras aqui nesta coluna. E fui, finalmente, tomar o meu café numa padaria super aconchegante. E voltei para frente da prefeitura para o momento solene das homenagens cívicas.</p>
<p>Não é que a mulher porreta, retomou o seu discurso da igreja e, corajosamente, diante de um público que certamente abrigava pessoas de diferentes credos e até sem credo algum? Ela falou em Deus novamente, falou na importância da fé na vida de um povo e emocionou as pessoas ao linkar a nossa cidade com a tragédia que se abatia sobre o Rio Grande do Sul. E convidou todos a se darem as mãos e rezarem o Pai-Nosso! Foi um dos momentos mais bonitos que já vivi em Monte Alto! Nunca na minha vida imaginei que veria tanta gente chorando num discurso político!</p>
<p>Fiquei tão tocada que, pela primeira vez, depois de mais de 30 anos fora, pensei em voltar para Monte Alto e envelhecer calmamente na “cidade do sonho que Porfírio Luís nos legou, cujo povo, bom forte e risonho o progresso em seu solo implantou.”</p>
<p>Obrigada, Maria Helena, por não ter vergonha de mostrar que o Estado é laico, mas a prefeita não! E deixar claro que político não é “tudo farinha do mesmo saco”, como a gente costuma classificar pejorativamente. Tem muita gente de valor, que ocupa um cargo de governo por amor. E você é uma dessas pessoas. Se você vai se reeleger ou não, é algo que sequer faz diferença, porque, o que importa mesmo é que, na galeria dos prefeitos de Monte Alto, seu nome ficará estampado e a história de nossa cidade fica melhor por causa disso. Que Deus a abençoe e a todos os que creem e não se envergonham disso.</p>
<p>Parabéns, Monte Alto, com atraso, mas, de coração!</p>
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		<title>O tamanho de nossos braços</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/o-tamanho-de-nossos-bracos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 May 2024 12:18:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Como muitas pessoas, eu tenho o péssimo hábito de assumir muitos compromissos, iniciar muitas tarefas e auxiliar pessoas&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Como muitas pessoas, eu tenho o péssimo hábito de assumir muitos compromissos, iniciar muitas tarefas e auxiliar pessoas que me peçam ajuda. A consequência disso é óbvia: acabo desesperada, sem conseguir dar conta de tudo, sem tempo para comer ou para dormir, literalmente. Há dois meses, venho dormindo uma média de 4 horas por noite e, algumas vezes, emendei um dia, uma noite e mais um dia, ficando mais de 40 horas acordada.</p>
<p>Viajei em dois finais de semana seguidos, viagens marcadas há bastante tempo. Ao arrumar a mala para ir à praia, é normal que a gente coloque biquíni, maiô, bermudas, protetor solar, chinelos e&#8230; computador.</p>
<p>Isso mesmo! Eu consegui a proeza de ir para a praia e levar o computador. Aliás, os computadores, porque estou trabalhandp na edição de um vídeo e preciso usar duas máquinas, no caso, um notebook e um PC. Dei um rápido “oi” para o mar e fiquei na pousada trabalhando enquanto meus familiares se divertiam como deve ser, sem tempo, sem preocupação, pés na areia, cervejinha na mão e eu lá, às voltas com os compromissos assumidos!</p>
<p>Quando voltei, conversando com o meu filho, ele me disse uma frase muito sábia: “Mãe, a senhora precisa diminuir o ritmo. Não adianta querer abraçar o mundo, porque nossos braços são pequenos, eles nunca vão abarcar o mundo. Precisamos abraçar só o que cabe no tamanho dos nossos braços.”</p>
<p>Ele tem razão. A gente não dá conta de tudo e, muitas vezes, precisamos escolher algumas coisas em detrimento de outras. Não dá para escolher todas, não dá para querer realizar tudo. Somos de carne e osso e nossos corpos cobram, nossa mente cobra.</p>
<p>Então, hoje, aqui em meio a uma parafernália de coisas, com a mesa abarrotada de coisas, o que me irrita muito, porque gosto de trabalhar com tudo ordenado ao meu redor, ainda sem almoçar, às 18h16, parei para escrever este artigo e refletir um pouco sobre isso.</p>
<p>A primeira conclusão que cheguei é que melhor não dar cabo de uns dois ou três que complicaram ainda mais a minha vida fazendo errado ou não fazendo tarefas que deleguei e das quais precisava para finalizar alguns trabalhos, porque, no final das contas, a cor do uniforme das presidiárias não combina com a cor dos meus cabelos.</p>
<p>Hoje tem até nome para isso, Síndrome de Bournaut. Prefiro chamar de excesso de boa vontade e ingenuidade de achar que é possível fazer o que não é possível fazer.</p>
<p>A vida é simples, o tempo passa e a vida finda. Os braços são pequenos. Pouca coisa cabe, de fato, neles, muito menos do que a nossa vontade gostaria. O resultado de trabalhar muito e fazer as coisas com amor é fantástico, mas, é um preço que nem sempre vale a pena pagar.</p>
<p>Divido isso com vocês para ilustrar uma situação que envolve muitas pessoas. Pode ser quem trabalha fora e até quem fica em casa. Uma dona de casa, por exemplo, que queira dar conta de limpar, lavar, passar, cozinhar, arrumar os armários, podar as roseiras, lavar o banheiro e dar banho nos cachorros, tudo no mesmo dia, acabará não fazendo bem nenhuma dessas coisas. Vai acabar muito cansada e com raiva de muitas pessoas.</p>
<p>Porque, vamos combinar, tem coisa mais irritante que você estar “no fervo” mergulhada no trabalho, lutando contra o tempo para dar conta de tudo, tentando fazer bem feito e outras pessoas de boa no celular, fazendo nada, nem aí com a morte da bezerra, ou saindo para se divertir, parando para relaxar, e você lá no olho do furacão?</p>
<p>Mas, quem te pôs lá? Você mesmo! E é você mesmo o único ser que pode se tirar de lá. O tempo da escravidão já passou e o pior cárcere é quando somos escravos de nós mesmos e da nossa falta de limites.</p>
<p>Pensem nisso. A funerária tá lá, mas, ninguém tá com pressa de usar um daqueles modelitos de madeira, né? Então, o negócio é maneirar!</p>
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		<title>Gentileza gera gentileza</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/gentileza-gera-gentileza/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Apr 2024 13:11:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mesmo que eu viva cem anos, nunca conseguirei compreender a linha de raciocínio de pessoas grosseiras e mal-educadas.&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo que eu viva cem anos, nunca conseguirei compreender a linha de raciocínio de pessoas grosseiras e mal-educadas. É tão fácil e tão prazeroso ser gentil e tratar bem as pessoas, por que, para alguns, isso parece tão difícil?</p>
<p>O tempo que se leva para dar uma resposta grosseira é o mesmo que se levaria para responder com simpatia e gentileza. Às vezes, para se responder bem, o tempo é até menor, pois a grosseria acaba despertando réplicas, a depender de quem a recebeu e, um assunto que poderia ser resolvido com uma frase, pode acabar em um bate-boca enorme, com gritos, palavras chulas e, às vezes, até agressão física.</p>
<p>É muito comum ouvirmos pessoas que dizem: “Eu sou muito bonzinho (boazinha), desde que não pisem no meu calo!”. A quem tenta enganar quem pensa assim? Se uma pessoa é bondosa, ela será bondosa sempre e a reação dela não dependerá do que ela estiver recebendo. Porém, se você só é gentil com quem te agrada e te adula, quem, de fato é você?</p>
<p>Quando damos uma resposta atravessada para alguém ou fazemos uma exigência desmedida (geralmente para pessoas que exercem alguma função subalterna), estamos tentando mostrar que somos superiores, que sabemos mais ou que podemos mais.</p>
<p>Esse tipo de situação pode acontecer até numa conversa trivial, numa roda de pessoas discutindo sobre um assunto qualquer. A discussão mela quando alguém quer se destacar e colocar o seu ponto de vista acima dos demais.</p>
<p>Acontece também na família, entre casais. A convivência é a arte de ceder, de ouvir o outro, de considerar pontos de vista diferentes dos nossos. Não é fácil, mas, é necessário.</p>
<p>Em convivências mais estreitas, quando temos alguém que se julga o “rei da cocada preta”, normalmente do outro lado vamos ter uma pessoa submissa que, com o tempo, acaba acreditando que é inferior ao outro, de tanto ter as suas expressões desvalorizadas.</p>
<p>Isso caracteriza os relacionamentos tóxicos, nos quais pode estar presente a ironia, o sarcasmo e a opressão. É o que se chama de comunicação violenta. Devemos procurar evitar relacionamentos desse tipo o quanto pudermos, pois, conviver com uma pessoa que tem necessidade de provar que está certa o tempo todo é extremamente desagradável.</p>
<p>Mas, no dia a dia, quando lidamos com pessoas que conhecemos pouco ou que nem conhecemos, nem sempre podemos ser tão seletivos, pois a grosseria pode vir de um cliente num restaurante, numa loja, ou de um atendente, um médico, uma enfermeira, alguém no trânsito, um colega de trabalho.</p>
<p>Minha mãe sempre dizia que “quem vê cara, não vê coração”. E eu costumo pensar que tem pessoas que, de boca fechada são lindas e elegantíssimas, mas, quando se manifestam, misericórdia! Não dá nem pra ficar perto.</p>
<p>Eu gostaria de ser uma pessoa mais zen ou mais desencanada e, diante de alguém de mal com a vida (e, obviamente, consigo mesmo) ficar calma e apenas sair de cena, mas, confesso que ainda estou muito longe da santidade e, se me controlo para não mandar a pessoa&#8230; (palavrões), nem sempre consigo deixar de responder, na tentativa de fazer com que ela veja o quanto está sendo ridícula.</p>
<p>Só que não adianta. Os que se acham superiores e donos da verdade, sequer vão te ouvir e, se ouvirem e se sentirem ofendidos ou depreciados, aí que vão pegar mais pesado ainda, pois só se sentem bem depois de esmagar o ego do outro.</p>
<p>Dia desses um amigo querido me mandou uma figurinha com a seguinte frase: “Senhor, dai-me paciência, porque, se me der força, vou bater em alguém”.</p>
<p>Pois que assim seja! Que Deus nos dê muita paciência com os arrogantes, com os petulantes e com os sem noção. E que nos libertemos do desejo de discutir com quem gosta de arrumar encrenca.</p>
<p>Além dos grosseiros que encontramos aqui fora, a internet está repleta desses tais. Por isso que, aos poucos, eu venho construindo a minha “ausência digital”, usando as mídias só para as publicações essenciais, de trabalho. Quiçá, eu possa diminui-las, diminui-las, até chegar ao ponto de usar o celular apenas para fazer e receber ligações e como despertador, pois, mesmo que não entremos em discussão com os narcisistas de plantão, acompanhar as tretas entre uns e outros, já é o suficiente para nos tirar a paz.</p>
<p>E procuremos não nos esquecer: gentileza gera gentileza.</p>
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		<title>Por que pecamos tanto e confessamos tão pouco?</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/por-que-pecamos-tanto-e-confessamos-tao-pouco/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Mar 2024 12:43:48 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Há quem diga que, se Deus fosse ditar os Mandamentos hoje, não seriam dez, mas, centenas, talvez milhares,&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Há quem diga que, se Deus fosse ditar os Mandamentos hoje, não seriam dez, mas, centenas, talvez milhares, tão grande a variedade de pecados que são cometidos.</p>
<p>Embora eu não seja uma teóloga, discordo desse pensamento. Por mais que pareça que temos um leque interminável de pecados, se prestarmos atenção, todos eles giram em torno dos Dez Mandamentos.</p>
<p>E, se quisermos ser mais adequados à Era Cristã, na qual estamos inseridos, devemos nos lembrar da síntese feita por Jesus Cristo, que resumiu os Dez Mandamentos em dois: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” (cf. Mt 22, 37-39)</p>
<p>Nessas duas frases tão simples está contido o segredo da felicidade, da paz, da boa convivência, do respeito e da harmonia entre as pessoas. Algo que foi reconhecido até por Mahatma Ghandi, o maior líder hindu que já existiu.</p>
<p>Se olharmos para a aparente decadência dos dias atuais, não encontraremos um só pecado que não estivesse presente já nos primórdios da vida humana, registrado no Antigo Testamento. Alguns com aparência de maior crueldade, outros mais sutis, mas, o que fazemos hoje, já era feito naquela época.</p>
<p>E todos os pecados têm as mesmas raízes: avareza, inveja, gula, luxúria, ira, preguiça e soberba. Raízes de um mesmo tronco, cuja seiva é composta pelo velho egoísmo e seu companheiro orgulho.</p>
<p>Os seres humanos sempre mataram, roubaram, traíram, enganaram, baseados nessas mesmas premissas. Um exemplo bem claro: naqueles tempos remotos, algumas famílias “passavam seus filhos pelo fogo”, ou seja, sacrificavam crianças em tributo a seus deuses. Hoje, nós abortamos nossos bebês, e procuramos criar leis para justificar tal morticínio, assim como alguns reis protegiam os sacrifícios humanos.</p>
<p>Se reclamamos de aberrações sexuais nos nossos dias, os moradores de Sodoma chegaram a ameaçar Ló, na tentativa de terem relações sexuais com os Anjos que ele abrigava em sua casa.</p>
<p>E não precisamos ficar só no âmbito das Escrituras Sagradas. Podemos fazer um percurso pela Grécia Antiga, Roma, Egito; chegar até os incas, os maias e os astecas. Enfim, quaisquer civilizações que evocarmos, terão incorrido em erros parecidos, ora mais, ora menos acentuados.</p>
<p>E não somos diferentes deles. Parece pior hoje porque as pessoas já não se importam, já não sentem vergonha. Ostentar os pecados tornou-se até uma espécie de “movimento libertador”. Mas, será que liberta mesmo?</p>
<p>O ser humano sequer precisa de uma religião para saber onde erra e onde acerta. Pouquíssimas pessoas pecam por ignorância, com a inocência de não saber o que estão fazendo. Nós sabemos. E fazemos mesmo assim. Muitos, o fazem abertamente. A grande maioria ainda esconde seus delitos, não raro, iguais ou piores do que aqueles que eles mais criticam.</p>
<p>Acontece que não existe pecadinho e pecadão; pecado é pecado. Tanto é que, o mesmo Jesus que reduziu os Mandamentos a apenas dois, foi taxativo em dizer que sequer precisamos cometer a má ação, pois pecar por pensamento é suficientemente grave para nos condenar ao fogo eterno.</p>
<p>Até alguns anos atrás, talvez mais por uma questão de tradição do que de religião, as crianças eram batizadas, crismadas e faziam a Catequese e Primeira Comunhão, que é precedida pela primeira confissão.</p>
<p>Um hábito que, infelizmente, pela proliferação de outras vertentes religiosas, pelo ateísmo ou pela simples preguiça dos pais de seguir um credo, muitas crianças estão sendo privadas desses ritos sacrais. E, se não se aprende de criança, raramente se fará depois de adulto.</p>
<p>Os católicos possuem o grande privilégio do Sacramento da Penitência, também chamado Sacramento da Reconciliação, que é a confissão e absolvição dos pecados por um sacerdote.</p>
<p>Há quem critique essa pratica afirmando não confessar seus pecados a outros homens. Refuto essa crítica, primeiro porque foi o próprio Jesus que deu aos homens o poder de perdoar os pecados em seu nome: “Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20, 23) e, sobretudo, porque ela costuma vir de pessoas de outras práticas religiosas ou de arreligiosos, que nunca experimentaram o imenso benefício de uma confissão.</p>
<p>Não há paz que se compare àquela que invade a alma num sacrário depois de uma confissão bem feita e o recebimento da absolvição. Quem nunca experimentou, deveria tentar, apesar de, hoje em dia, haver pouco padre para muito pecador.</p>
<p>A confissão deveria ser um hábito frequente, mas, até mesmo pela diminuição do número de sacerdotes, a Igreja prescreve ao menos uma confissão por ano, de preferência, na época da Quaresma.</p>
<p>Se você tem esse benefício perto de você, não o perca. Estamos entrando na Semana Santa. Faça um bom exame de consciência e procure um padre para se confessar. Não caia na ilusão de que o mundo evoluiu e o que era pecado lá atrás deixou de sê-lo. Não deixou e, vamos ser bem honestos, a nossa cruel criatividade tem expandido e muito o poder de atuação do pecado.</p>
<p>A próxima semana não existe apenas para comermos bacalhau na sexta-feira e os supermercados venderem muitos ovos de Páscoa no domingo. Ela representa a Paixão, a morte e a Ressurreição de Jesus Cristo, que para quem não sabe bem quem é, não é um espírito evoluído, não é um cara bonzinho, o governador da Terra ou um mestre ascensionado. Ele é apenas o começo e o fim de tudo. O Criador de todas as coisas e o Senhor do Universo que ainda estamos tão longe de conhecer. Ele é a nossa origem e o nosso fim.</p>
<p>Sabe onde encontrá-lo? Arrependa-se de seus pecados, ajoelhe-se diante de um padre e conte a ele o que pesa em sua consciência e sufoca o seu coração. Faça isso e você verá o milagre acontecer.</p>
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		<title>Fevereiro, quando nasceu a saudade</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/fevereiro-quando-nasceu-a-saudade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Feb 2024 13:17:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As dores da alma são tão antigas quanto o ser humano, e podemos ver diversos relatos dela até&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-43941 alignright" src="https://www.oimparcialmontealto.com.br/wp-content/uploads/abraco-1.jpg" alt="" width="230" height="276" /></p>
<p>As dores da alma são tão antigas quanto o ser humano, e podemos ver diversos relatos dela até mesmo na Bíblia, os filósofos a abordaram, os teólogos também, e mais modernamente, os psiquiatras e psicólogos.</p>
<p>A depressão tem aumentado assustadoramente, tendo se tornado uma palavra genérica para uma grande gama de transtornos emocionais e mentais, e uma das consequências desses distúrbios é o suicídio.</p>
<p>Estou trabalhando em um projeto, junto com o meu marido, Henrique Campos, que aborda esse tema. Trata-se de um documentário chamado “Fevereiro, quando nasceu a saudade”, em referência ao filho dele, que cometeu suicídio aos 19 anos, em fevereiro de 2015.</p>
<p>Tem sido um trabalho desafiador, pois além de lidar com as nossas emoções, também precisamos lidar com os entornos, com as emoções de outras pessoas. Já entrevistamos profissionais da saúde, religiosos, amigos de quem partiu e quem já tentou partir e hoje está bem.</p>
<p>Em cada conversa a gente aprende um pouquinho, mas também vê aflorar uma emoção, seja ela uma velha emoção já conhecida, ou uma emoção ignorada. Cada passo é um pedaço de uma nova estrada que percorremos com muita esperança de fazer um trabalho que possa servir de alerta, e também de consolo para quem passa pelo luto.</p>
<p>Meu marido enfrenta a dor da saudade, acentuada ao revisitar quadros há tempos dependurados nas paredes da memória, num quarto menos visitado, e enfrenta também opiniões contrárias à sua ousadia de fazer esse trabalho tão difícil.</p>
<p>Eu, de minha parte, estou tendo um reencontro comigo mesma, reencontro que só é possível porque um dia fracassei na minha tentativa de partir. Eu morava em Monte alto e tinha 14 anos. Depois de atentar contra a minha própria vida, fiquei 76 horas em coma e os médicos orientaram meus familiares a começarem a tratar das questões práticas de túmulo, velório, porque as minhas chances de sobrevivência eram menos de 5% e, se sobrevivesse, poderia ter sequelas severas.</p>
<p>Mas, não quis a vida despedir-se de mim, e sobrevivi. E hoje, 45 anos depois, continuamos juntas, aliadas, companheiras e as sequelas não se atreveram a se colocar entre nós. Olhando para trás, algumas vezes eu me pergunto como seriam as coisas se eu não estivesse aqui. Consigo imaginar o mundo sem mim, mas não consigo imaginá-lo sem o meu filho, um sacerdote que abençoa tantas pessoas e ilumina tantas vidas e que, obviamente, não teria nascido se eu tivesse tido sucesso na minha nefasta tentativa de morrer.</p>
<p>A depressão é uma dor que não se explica, que não se enxerga, que não sangra e, na qual, muitas vezes, não se acredita e, no entanto, os suicídios dela consequentes têm aumentado consideravelmente, atingindo uma faixa etária cada vez menor e ela já é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. Parece uma doença solitária, mas, é um mal social, que afeta a coletividade como um todo. Mas, infelizmente, esse tema ainda é um tabu e muitas pessoas evitam falar sobre ele, no entanto, é uma questão muito séria e precisa-se conversar sobre isso.</p>
<p>Segundo a OMS, “a depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças”.</p>
<p>A ideia inicial do meu marido era escrever um livro sobre o assunto, um trabalho que vem sendo construído há nove anos. Agora, com a aprovação da Lei Paulo Gustavo, pudemos dar corpo ao projeto de um documentário, no qual várias pessoas especializadas no tema, ou com alguma vivência nessa realidade, partilharão com outros as suas ideias e experiências.</p>
<p>Nosso objetivo é oferecer uma oportunidade de reflexão sobre a depressão e o suicídio; transmitir informações médicas e científicas sobre o chamado “mal do século”; dar voz a familiares e amigos para contarem o seu lado da experiência; incentivar pessoas que enfrentam uma situação de risco, sobretudo jovens e adolescentes a procurarem ajuda e oferecer subsídios a pais e familiares, amigos e professores para tentar identificar o risco iminente de suicídio em pessoas de seu convívio.</p>
<p>É uma empreitada árdua, mas, é um trabalho que estamos fazendo com muito amor, dedicação e esperança de que ele possa ter um resultado positivo, no sentido de servir de alerta para quem sofre com a depressão e a ideação suicida e também para as pessoas que vivem o luto da perda de seus entes queridos.</p>
<p>O documentário deverá estar pronto no mês de abril, com estreia prevista para maio e estará disponível no Youtube.</p>
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		<title>Aborto: você é contra, a favor ou prefere não falar no assunto?</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/aborto-voce-e-contra-a-favor-ou-prefere-nao-falar-no-assunto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Feb 2024 13:31:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aborto, eis aí um tema polêmico. Algumas pessoas se colocam claramente contra; outras, militam a favor e, não&#8230;</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Aborto, eis aí um tema polêmico. Algumas pessoas se colocam claramente contra; outras, militam a favor e, não poucas, preferem não falar no assunto. No entanto, este é um tema que não diz respeito apenas à mulher que interrompe uma gravidez indesejada ou considerada perigosa, trata-se de um assunto que diz respeito a todos nós, porque está ligado à vida humana. Por isso, precisamos nos posicionar, ter uma definição a respeito.</p>
<p>Aqueles que defendem a liberação ou ao menos da descriminalização da prática, costumam se apegar ao jargão feminista: “Meu corpo, minhas regras.” para justificar o direito de se decidir pela interrupção da gravidez.</p>
<p>De início, quero dizer qual o meu lado nessa situação: eu sou contra o aborto, contra a legalização e contra a descriminalização. Vou ainda um pouco mais longe, sou contra o aborto em qualquer circunstância, mesmo aquelas nas quais a legislação permite a prática, como nos casos de estupro e de risco para a vida da mãe.</p>
<p>Podem me chamar de radical, não me importo. Esse é o meu ponto de vista pessoal, contra qualquer tipo de assassinato, e o aborto é um assassinato potencialmente cruel, pois é o único em que a vítima não possui nenhuma condição de defesa. E é também o meu ponto de vista como católica, pois, embora haja muitos católicos “em cima do muro” sobre esse tema, não deve ser assim.</p>
<p>Um católico praticante, que vive integralmente a sua religião não pode se posicionar de forma diferente das diretrizes da Igreja. Não dá para sermos católicos e concordarmos com algumas coisas e discordarmos de outra. Falo da religião que pratico, mas sei que há várias outras que comungam a mesma posição no tocante ao aborto. Vejamos o que diz o Catecismo da Igreja:</p>
<p>2270: A vida humana deve ser respeitada e protegida, de modo absoluto, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento da sua existência, devem ser reconhecidos a todo ser humano os direitos da pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo o ser inocente à vida. «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi: antes que saísses do seio da tua mãe, Eu te consagrei» (Jr 1, 5).</p>
<p>2271: A Igreja afirmou, desde o século I, a malícia moral de todo o aborto provocado. E esta doutrina não mudou. Continua invariável. O aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: «Não matarás o embrião por meio do aborto, nem farás que morra o recém-nascido. Deus, Senhor da vida, confiou aos homens, para que estes desempenhassem dum modo digno dos mesmos homens, o nobre encargo de conservar a vida. Esta deve, pois, ser salvaguardada, com extrema solicitude, desde o primeiro momento da concepção; o aborto e o infanticídio são crimes abomináveis».</p>
<p>Dessa forma, uma pessoa não pode ser católica e dizer: “Ah, eu sou favorável ao aborto em algumas circunstâncias” ou “Sou contra o aborto, mas a favor da descriminalização”. Esse é um daqueles casos em que Jesus nos recomendou sermos ‘quentes ou frios’, porque os mornos Ele vomitará de sua boca.</p>
<p>Converse com qualquer homicida e ele terá uma justificativa para o assassinato que cometeu, ainda assim, será um assassinato e ele deverá pagar por isso. O aborto é exatamente isso: um assassinato, apenas com a diferença de que a vítima ainda se encontra na primeira fase de sua existência, dentro do ventre da sua mãe, que deveria ser a primeira pessoa a defendê-lo, com a própria vida se necessário. A vida não nos pertence. Ela pertence a Deus e, se uma criança é concebida, seja em que circunstância for, é porque Ele assim permitiu.</p>
<p>Há uma pastora evangélica chamada Tânia Tereza que diz uma coisa muito importante: “A mulher que faz um aborto extermina uma nação”, ou seja, quando mata seu filho, você não está apenas se livrando de um incômodo, você está destruindo toda uma história de vida. Está matando também os netos, bisnetos, tataranetos, enfim, todas as pessoas que seriam geradas a partir daquela criança.</p>
<p>Sobre filhos gerados em situações de violência sexual, a nossa legislação não exige da mulher Boletim de Ocorrência e nenhum tipo de comprovação de que foi realmente violentada para fazer o aborto de forma legal, pelo SUS. Assim, basta a palavra da mulher para que o aborto se realize. Mas, sejamos coerentes, a grande quantidade de abortos praticados não são fruto de abuso sexual, mas sim de relações consentidas, apenas não se tinha o desejo de engravidar.</p>
<p>Está certo que a carga fica toda para a mulher. Em relações casuais, ou mesmo em algumas situações de namoro, o homem, na maioria das vezes, passado o fugaz momento do seu prazer sexual, não quer nem tomar conhecimento da mulher ou das consequências do ato praticado. A barriga crescerá nela e ele continuará lindo e garboso, até mesmo fazendo outros filhos por aí. É uma situação problemática? Sim. Difícil? Muito.</p>
<p>Eu mesma passei por essa situação e criei o meu filho sozinha. Hoje ele tem 40 anos e quem o conhece compreende a minha posição. E, quantos homens valorosos, como este que eu trouxe ao mundo não tiveram a mesma oportunidade que ele teve? Meu filho é um sacerdote, um pescador de almas. Quantas vidas ele tocou em seu ministério e quantas ainda tocará? Quantas crianças ele batizou? Quantos casamentos ele assistiu? Quantas confissões ouviu? Quantas pessoas auxiliou na hora da morte?</p>
<p>Nada disso teria sido possível se eu tivesse defendido o meu “direito de decidir” ou me valido do jargão “Meu corpo, minhas regras”. Meu corpo continua sendo meu para que eu faça dele o que eu bem entender e nada, absolutamente nada que eu possua nesta vida se comparará ao tesouro precioso que Deus me deu quando permiti que o filho que ele me escolheu para ser mãe viesse ao mundo.</p>
<p>Quando uma mulher diz que não faria um aborto, mas que não se posiciona sobre quem quer fazer, ela está sendo conivente. Quando homens e mulheres levantam essa bandeira, eles estão a serviço do mal, ou de clínicas que ganham muito dinheiro com essa prática. Eu não conheço nenhuma mulher que tenha sido condenada pela Justiça por ter feito um aborto clandestino, portanto quando a bandeira da descriminalização é levantada, não é para proteger as mulheres, é para proteger os aborteiros, que pode ser a entendida do fundo de vila ou médico num consultório sofisticado. É a essas pessoas que se protege nessa defesa, muitas vezes sem nem se dar conta disso.</p>
<p>Se cada mulher que faz ou pensa em fazer um aborto tivesse uma noção mínima da ferida que abrirá na própria alma e que ninguém e nenhuma ideologia no mundo será capaz de apagar, teria paciência, aguentaria os nove meses de gestação e decidiria o que fazer após ter em seus braços o milagre da vida. Continua não querendo o filho? Entregue-o para a adoção, mas, não se torne uma criminosa porque há um movimento no mundo que diz que você tem o direito de decidir tornar-se mãe ou não. Você tem realmente esse direito e a castidade é o caminho seguro para não engravidar. Agora, direito de matar, nenhum de nós tem.</p>
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		<title>Três dias de escuridão</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/tres-dias-de-escuridao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jan 2024 13:33:09 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Sem dúvida, vivemos um tempo estranho. Falar em fim de mundo, as pessoas falam desde sempre. Lembro-me bem do meu pai, sentado à mesa da cozinha, picando fumo com o canivete para o seu cigarro de palha e dizendo: “Os antigos já falavam que mil chegará, mas de dois mil não passará.”</p>
<p>Meu pai, que pronunciava essas palavras no vigor da idade, acabou ele mesmo ficando antigo. O ano 2000 chegou, o mundo não passou e continuamos por aqui. Meu pai se foi e agora eu mesma, embora me veja com a idade mental de 20 anos, também já me tornei antiga e, nessa vida que se fez longa, muitas coisas vi, muitas coisas ouvi, mas, repito, estamos vivendo um tempo estranho.</p>
<p>Entramos em 2024 ouvindo sobre as tempestades solares que podem causar um apagão na internet o que, de forma cabal, poderia colocar o mundo em trevas, cumprindo a tão propalada profecia bíblica dos três dias de escuridão.</p>
<p>Muitos livros e filmes já trataram desse assunto, produções distópicas que sempre nos colocam diante de um cenário assustador, sem comida, sem água, com as cidades totalmente destruídas e os poucos sobreviventes lutando entre si.</p>
<p>Recentemente saiu o filme “O mundo depois de nós”, confesso que um dos mais fraquinhos que já assisti sobre esse prenunciado fim do mundo, mas que nos faz pensar um pouco, sobretudo sobre como será difícil ficar sem a Netflix durante um apagão, argumento de humor irônico usado no roteiro do filme para nos fazer ver o quão dependente ficamos da internet e dos entretenimentos que ela nos oferece.</p>
<p>Eu acredito em Deus e acredito na Bíblia e, se está escrito lá, não tenho dúvida que vai acontecer. Esse episódio aparece no Antigo Testamento em Isaías 8, 21-22 e Joel 3, 3-4 e no Novo Testamento é citado em Mateus 24,29-31, Marcos 13, 24-27 e Lucas 21,25-28, arrematando com o mais polêmico livro sagrado, o Apocalipse de São João: 6, 12-14; 16, 14 e 16, 18-21. Bem, se tantas menções foram feitas, é prudente acreditar que isso não aconteceu à toa&#8230;</p>
<p>Jesus disse que o dia e a hora ninguém sabia, mas que haveria sinais na natureza, guerras e rumores de guerra, esfriamento do amor, apostasia e abominações. E o que estamos vivendo senão todas essas coisas de uma vez e de maneira cada vez mais veloz?</p>
<p>Sempre tem aquele pessoal mais descrente, que acha que isso é tudo bobagem e a turma que gosta de justificar as coisas dizendo “foi cientificamente comprovado” afirma que tudo isso sempre existiu, violência, guerras, fenômenos da natureza e justificam que a diferença é que antes a gente não ficava sabendo porque não tinha televisão, internet, por isso temos a falsa impressão de que as ocorrências aumentaram. Um argumento que parece sábio, mas é muito ingênuo.</p>
<p>Estamos aqui agora, vivendo na carne, sentindo na pele as mudanças, as transformações, os efeitos dos nossos próprios atos, as consequências de nossas más ações. As coisas estão acontecendo, não estamos lendo sobre elas ou ouvindo falar. Estamos vivendo-as. Não, não foi sempre assim. Não era assim vinte anos atrás. Dez anos atrás.</p>
<p>Esses dias de trevas certamente virão. Pode ser que os mais velhos de nós já não estejam aqui, mas nossos descendentes próximos, certamente estarão e os mais jovens de vocês estarão também. Preferem duvidar? É um direito que todos têm, mas, por segurança, mantenham em casa velas bentas e umas caixas de fósforo. Não sabemos quando será, não sabemos como será, mas, certamente, será bem pior do que podemos imaginar&#8230;</p>
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		<title>Ausência Digital</title>
		<link>https://www.oimparcialmontealto.com.br/artigos/ausencia-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[jimparcial]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jan 2024 13:15:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Quando eu tinha seis anos, ganhei o meu primeiro livro, a história ilustrada de um ursinho que compra&#8230;</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu tinha seis anos, ganhei o meu primeiro livro, a história ilustrada de um ursinho que compra uma cadeira de balanço, mas vem um bicho mais pesado, senta na cadeirinha dele e a quebra. Eu fiquei tão enternecida com essa história que até chorei.</p>
<p>Tínhamos também uma porção de livrinhos bem velhos de literatura de cordel – que conservo comigo até hoje – e minha mãe, mesmo semianalfabeta, com muita dificuldade, lia para mim. Eu me encantava com aquilo. (O livro do ursinho, infelizmente emprestei para uma menina que se mudou de Monte Alto e nunca mais me devolveu&#8230;).</p>
<p>Ao entrar na escola, aprendi a ler e um novo mundo se encheu de encantos. Eu lia de tudo, até bula de remédio e os livros de contabilidade do meu irmão, que estudava na Escola de Comércio. Eu achava fascinante que houvesse pessoas que inventavam histórias tão bonitas e interessantes, que me levavam a viajar por lugares tão distantes e realidades tão diferentes da minha.</p>
<p>Então, a magia se completou: eu aprendi a escrever e percebi que tinha nascido com o dom de contar histórias e, a partir daí, comecei a escrever em todos os papéis que achava. Infelizmente, sobrou um desses escritos, os outros se perderam por aí.</p>
<p>Um novo mundo se descortinou diante de mim e eu compreendi que era isso que eu queria ser na vida: escritora. Porém, a coisa não é tão simples. Escrever é fácil, publicar já é mais difícil e, conseguir que as pessoas se interessem em ler as suas histórias, sem ser famoso e conhecido por origem, berço ou qualquer outro motivo, também é um desafio.</p>
<p>Engravidei aos 18 anos, justamente na época em que tinha começado a escrever para o Imparcial e estava procurando uma editora para o meu primeiro livro, de poesias, “Tatuagem” (que não publiquei até hoje).</p>
<p>Então, precisei fazer uma escolha: ou continuar sonhando com a carreira literária ou arrumar um emprego concreto para poder criar o meu filho de pai ausente (quando a criança não cresce na barriga da gente, é mais fácil achar que o problema não é nosso&#8230;). Tive um apoio enorme do Romeu e da Marlene, que eram os proprietários do jornal e, de uma hora para outra, estava trabalhando como repórter do Imparcial.</p>
<p>Foram anos nessa labuta: repórter, redatora, editora. O salário, porém, não favorecia muito e precisei arrumar outros empregos para complementar. Trabalhei ao mesmo tempo no Imparcial, no jornal A União, de Santa Adélia, para onde viajava todos os fins de semana, e no jornal da Diocese de Jaboticabal. Então, percebi que não estava conseguindo ter tempo para ficar com o meu filho, pois todas as minhas horas eram ocupadas com trabalho.</p>
<p>Prestei concurso para a Nossa Caixa – que nem existe mais – e passei. Fiquei apenas com o banco e o Imparcial, até que resolvi partir. Trabalhei dois anos no Estadão, tempo suficiente para me desencantar do jornalismo. Eu era uma escritora, não uma repórter. O repórter relata os acontecimentos, o escritor os inventa. Essa era a minha praia.</p>
<p>Do Estadão, fui para o Metrô; do Metrô, para a Caixa. Lancei dois livros nesse período, sempre acalentando o sonho do dia em que poderia viver apenas para a literatura. Os anos se passaram, o filho cresceu, seguiu o seu caminho, deixou de depender de mim, e a aposentadoria chegou. Era, enfim, o meu momento.</p>
<p>Mas, aí, aconteceu o fenômeno da revolução digital. E, quando eu, finalmente, estava madura e preparada para escrever e viver exclusivamente para a tão sonhada e amada literatura, descobri que, para fazer com que as pessoas se interessassem em ler os meus livros, precisaria ter uma presença digital forte&#8230;</p>
<p>Abre uma conta no Instagram. Abrir a conta não basta, tem de publicar com frequência. E precisa curtir o que outras pessoas publicam, entrar em outras páginas, se relacionar, que é para sensibilizar o algoritmo e conseguir seguidores. Mas, tem que tomar cuidado com o que escreve para evitar os haters e não ser cancelada. Precisa fazer vídeos, porque as pessoas não gostam de textos, ainda mais textos longos.</p>
<p>Ah, agora precisa ir para o Tik-Tok – esse território de ninguém onde se vê o que até Deus duvida. Já tem uma conta no Twiter? Ah, não, agora não é mais Twiter, é X, mas, precisa aparecer por lá. Tem que aumentar a presença digital, melhorar a qualidade dos vídeos, usar maquiagem, melhorar a iluminação, fazer cursos. Agora o algoritmo mudou, precisa se atualizar.</p>
<p>Para! E eu vou escrever quando? De que adianta as pessoas me conhecerem se não escrevo? Ah, então escreve, mas, segue a tendência do momento, vai na linha do que está bombando: literatura hot (uma mistura de Júlia, Sabrina e pornografia para mulheres), não vou escrever isso! Então, escreve suspense. Suspense não, terror! Pega a onda do Halloween, isso vende muito. Histórias de vampiros também, sempre estão em voga. Mistura história policial com zumbi, vai bombar. E tenha pelo menos 20% de personagens LGBTQIA+. E não enfia valores morais na literatura que isso não agrada, e nem pense em escrever sobre religião. Literatura laica. Bem, se for alguma história das religiões afro, vai bem.</p>
<p>Com uma tremenda dor no coração, me senti completamente identificada com o Fernando Pessoa. Comprei um grande baú e dentro dele guardarei todos os meus escritos, porque vou escrever sobre o que eu quiser, sobre o que me der vontade, sem tendências, modinhas, ideologias e temas do momento. E vou deixar lá, porque, assim como aconteceu com Pessoa, quem sabe algum dia alguém encontre o baú? Mesmo sendo um dos maiores escritores que pisou nesse planeta, ele não conseguiu publicar nenhum livro em vida, nem dele nem de seus heterônimos, (exceto cem exemplares como prêmio de consolação em um concurso literário que ele não venceu, com o livro Mensagem).</p>
<p>No fim, acho que essa foi a minha melhor decisão dos últimos tempos: há dois meses, comecei a construir a minha ausência digital. Afinal, ninguém precisa saber para onde viajo, que flores crescem no meu jardim, qual é o comportamento dos meus cães, e o que eu comi no café da manhã. Minha vida é real e é sobre essa vida real e maravilhosa que continuarei escrevendo, mesmo que não publique, mesmo que ninguém leia. Não serei eu quem estará perdendo, pois a literatura está em mim como uma segunda respiração. Perderá quem não puder chegar a ela apenas porque eu me recusei a me mudar para o mundo virtual.</p>
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